O namoro da China com a indústria automotiva brasileira está tão escancarado que não incorreria em erro quem chamasse a aproximação de assédio. Somente no último mês, em duas diferentes ocasiões, o recado de lá para cá foi claro e direto: “a indústria chinesa quer parceiros brasileiros para produção conjunta, sobretudo de autopeças. As fábricas podem ser instaladas em território chinês ou em brasileiro”.

O último dos recados foi dado segunda-feira durante Simpósio SAE Brasil Manufatura Automotiva: Novas Lições para Sobreviver, realizado em São Paulo. O primeiro foi no mês passado durante visita de comitiva com mais de 40 empresários ao Brasil.

Desta vez, o portador do convite foi o CEO da consultoria PAC Global, Shah Firozzi, há oito anos residente naquele país, e escondeu nas entrelinhas sutil ameaça. “A China pode ser um risco ou uma oportunidade, depende de como vocês trabalharão com ela. Eles querem trabalhar com vocês”.

A mensagem não é infundada. Segundo o próprio Firozzi os chineses têm como meta tornar-se, em 5 anos, os vice-líderes em produção de automóveis, atrás dos Estados Unidos.

“A China é o único país no mundo onde as metas da indústria são estabelecidas em parceria com o governo. Eles vão conquistar o que desejam independente do custo. Aqui o governo não dá apoio a vocês.” As outras metas já em andamento incluem aumento das exportações para países vizinhos como Indonésia e Vietnã, construção de fábricas em países em desenvolvimento e entrar no disputado mercado americano.

China é tão real que todas as grandes multinacionais de autopeças possuem fábrica por lá. Luiz Bolonhez, engenheiro mecânico formado pela Mauá, trocou o Grande ABC pela TRW Fawer, em Changchun, município chinês, e também não vê caminhos que não passem pelo lado oriental do mundo.

“A indústria chinesa está na segunda fase de seu desenvolvimento com objetivos muito bem traçados. Dinheiro, tecnologia e processos estão por lá, não tem como fugir”, define Bolonhez.

Diante de tanto assédio, indústria e governo brasileiros precisam ficar atentos. Segundo Bolonhez a mão-de-obra pouco especializada e rentabilidade aquém do esperado são problemas sérios. Mas, são poucos os que duvidam que tais pontos não serão sanados.

Enquanto isso, alerta Letícia Costa, presidente da consultoria Booz Allen Hamilton. “Ao Brasil falta política séria de inserção. Com as vendas internas abaixo do seu real potencial e sem estratégias para exportação, o país continuará perdendo investimento para China, como para Rússia, Leste Europeu e México”.

Autor(es): IBS

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Comentários

16/12/10 às 20:57h
edardo fenix
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