A Companhia. Siderúrgica Nacional (CSN) acaba de receber a aprovação das autoridades portuguesas para aquisição dos 50% da Lusosider que pertenciam à anglo-holandesa Corus. Com isso, diz João Audi, diretor de mercado externo da companhia, a siderúrgica brasileira vai unificar em Portugal sua equipe de vendas, tanto para os produtos da Lusosider quanto os da CSN no mercado europeu.

Segundo Audi, isso não era possível de ser feito antes com o controle da siderúrgica portuguesa dividido entre dois sócios. O executivo, que chegou na CSN em 2001 como diretor na área de embalagens, foi por dois anos diretor da Lusosider, a partir de meados de 2003, quando a CSN adquiriu as ações que pertenciam à Arcelor.

A fabricante tem um perfil de produtos similar ao da CSN - faz laminados a frio, galvanizados e aço estanhado, este para a fabricação de embalagens (latas). Só não produz o aço bruto e não lamina placas. Toda a matéria-prima (aço laminado a quente) que necessita será oriunda da CSN - em torno de 400 mil toneladas -, que tem planos de também intensificar a venda de seus laminados obtidos na usina de Volta Redonda (RJ) na Europa e em países da África.

A tomada do controle integral da Lusosider - cujas origem remontam a 1961 e tem a atual forma desde 1996, após sua privatização - ocorreu em maio deste ano, com o pagamento de 25 milhões de euros. Ao todo, a CSN desembolsou 35 milhões de euros na laminadora portuguesa, que tem capacidade para beneficiar próximo de 400 mil toneladas por ano.

No ano passado, a Lusosider vendeu 301 mil toneladas, com destaque para aços revestidos - galvanizados (205 mil toneladas) e estanhados (73 mil) - e obteve receita de 179 milhões de euros. A empresa carrega endividamento financeiro na faixa de 40 milhões de euros.

O mercado internacional de aço, segundo o diretor de exportação da CSN, encontra-se aquecido, com demanda e preços firmes para o segundo semestre de 2006. A empresa está fechando as vendas do terceiro trimestre e começa em agosto as negociações para o período outubro a dezembro.

Audi comenta que hoje, após o retorno da operação do alto-forno 3 da CSN, parado cinco meses devido a acidente, ele dispõe de mais material para ofertar. “Tivemos de priorizar produtos de maior valor agregado, como galvanizados (setores automotivo e construção), folhas metálicas (embalagens) e pré-pintados (linha branca).”

Em 2005, o mercado asiático foi o principal destino de aços da CSN ao exterior, seguido de Europa, EUA e América Latina (o último com predominância de folhas metálicas). De janeiro a março deste ano, EUA e Europa sobressaíram. “Quando o mercado interno desacelera, como em boa parte do ano de 2005, vendemos muito laminado a quente para clientes da Ásia, como Coréia, China e Taiwan”.

Outra frente de vendas no exterior é a laminadora da CSN nos EUA, em Indiana. “Temos lá mais de 20 vendedores que comercializam material da CSN USA e aço feito no Brasil”, informa Audi.

Os preços do aço, segundo o executivo, mantêm sua rota de alta. “Placas e laminados a quente estão com cotações bem firmes e os aços galvanizados estão pressionados pelo repasse do custo do zinco. Outro fator é o aumento de 19% no minério de ferro”. Segundo Audi, laminado a quente, dependendo da especificação e destino, é negociada por até US$ 650 a tonelada.

Autor(es): Valor

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