O sistema Usiminas concluiu os estudos econômicos para montar novo laminador de tiras a quente na subsidiária Cosipa. O projeto, com investimento estimado em US$ 600 milhões, também já foi aprovado pelo conselho de administração da empresa, disse ontem o diretor industrial de Usiminas-Cosipa, Omar Silva Júnior. Ele afirmou que o laminador faz parte de um investimento total de US$ 1,2 bilhão do grupo que contempla melhorias e modernizações nas instalações das duas empresas.

O laminador, que deverá entrar em operação em 2010, vai absorver 1,5 milhão de toneladas/ano de placas que hoje são exportadas pela Cosipa. No total, a usina de Cubatão (SP) produz 4,5 milhões de toneladas por ano - originando 2 milhões de toneladas de laminados a quente, 1 milhão de chapas grossas e 1,5 milhão de toneladas de placas para exportação.

O executivo disse ainda que a Usiminas continua a avaliar uma nova usina para fazer placas de aço em parceria com sócio estrangeiro, em investimento estimado em cerca de US$ 3 bilhões. A usina, com capacidade para 4 milhões de toneladas, tem previsão de ser instalada na região Sudeste após 2010.

O plano, segundo Silva, é de que parte das placas da unidade seja exportada e outra parcela sirva para atender a demanda do novo laminador a quente da Cosipa, que começa com de 2 milhões de toneladas de bobinas a quente por ano, mas pode chegar a 4 milhões, em uma segunda etapa, com investimentos adicionais.

O executivo informou que a Usiminas descartou a idéia de fazer um novo alto-forno em Ipatinga (MG), onde produz cerca de 5 milhões de toneladas de aço líquido por ano. "Deve permanecer neste nível", previu Silva. Segundo ele, serão feitas reformas na aciaria e no alto-forno 1 da Cosipa; em Ipatinga será ampliada em 30% a capacidade de produção de chapas grossas da Usiminas. "Esse aumento atenderá projetos de gasodutos e a indústria naval", disse Silva.

Do US$ 1,2 bilhão a ser investido, cerca de US$ 700 milhões vão ser destinados à Cubatão e US$ 500 milhões para a usina de Ipatinga. O executivo do sistema Usiminas-Cosipa participou ontem, no Rio, de painel do Congresso Anual da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM).

Na apresentação, Silva avaliou que a siderurgia nacional tem dois desafios: buscar maior competitividade externa e resolver problemas internos, como a adequação às exigências ambientais. "Há muita incompetência burocrática no país nesta área", criticou.

Ele também falou do aumento da participação dos países em desenvolvimento na oferta de aço no mundo. Em 1970, respondiam por 15% do total de aço no mundo. Em 2010, este percentual deverá ser de 60%, muito em função do aumento da produção de aço na China. "Este ano, os chineses já estão produzindo em ritmo anual de 400 milhões de toneladas", afirmou Silva.

Autor(es): Francisco Góes/Valor

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