A Usiminas, uma das maiores fabricantes de aços planos do país, não investirá no segmento de longos, caminho tomado pela concorrente Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O presidente da siderúrgica mineira, Rinaldo Campos Soares, não vê sentido em investir na produção de uma linha onde já existe muita oferta no Brasil. “A estratégia da Usiminas é ser líder em planos”, afirmou ontem. Para o executivo, já está de “bom tamanho” a participação que a Usiminas têm, por meio da holding Ternium, em usinas estrangeiras que também fabricam longos.

A CSN anunciou, na quarta-feira, que investirá US$ 113 milhões para montar uma unidade de produção de vergalhões, perfis e fio-máquina no complexo industrial de Volta Redonda (RJ). Na avaliação do presidente da Usiminas, não é bom negócio entrar no mercado de longos disputando mercado com a Gerdau e a Belgo-Mineira, da Arcelor Brasil.

"Temos investimentos importantes para aumentar nossa capacidade de produção e manter a liderança no nosso segmento", ressaltou Campos Soares. A participação da siderúrgica mineira no mercado interno é de 52%.

Segundo o presidente, a siderúrgica está em negociação com possíveis sócios para construir nova usina de placas no Sudeste. Neste novo empreendimento, orçado em US$ 3,5 bilhões, a siderúrgica está disposta a participar com 51% do capital. A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) já informou que tem interesse no negócio e poderia entrar com até 20%. Falta ainda encontrar um terceiro sócio, preferencialmente um grupo estrangeiro que garanta mercado externo para parte da nova produção, que seria de 5 mil toneladas por ano.

A Usiminas fechou o balanço do segundo trimestre com lucro líquido de R$ 704 milhões, o que representou uma queda de 13,1% no lucro líquido na comparação com o resultado do mesmo período do ano passado. No balanço do primeiro semestre, a queda foi de 42% em relação aos seis primeiros meses de 2005. O resultado líquido foi de R$ 1,049 bilhão.

De acordo com Campos Soares, a queda da receita, do lucro e da geração de caixa eram esperadas dentro de um cenário de preços em baixa no mercado externo e retração da demanda no mercado interno. “No primeiro semestre de 2005 tivemos um momento de pico”, lembrou.

Embora os resultados financeiros do balanço semestral sejam negativos na comparação entre 2006 e 2005 , o executivo observou que a tendência é de melhora. Em relação ao período de janeiro a março, o segundo trimestre deste ano já revelou ganhos importantes. O lucro, por exemplo, cresceu 104%. O lajida subiu 15,8% na comparação dos dois períodos, ficando em R$ 1,046 bilhão no segundo trimestre. “Conseguimos vender um mix melhor de produtos no segundo trimestre”, explicou.

Outro sinal importante é da recuperação na demanda interna, onde a siderúrgica consegue atuar com produtos de maior valor agregado para segmentos como a indústria automobilística. Nos dois primeiros trimestres do ano, o mercado interno absorveu 65% das vendas da Usiminas. Segundo ele, hoje, o mercado doméstico já está absorvendo 68% das vendas.

Autor(es): Valor

facebook      twitter      google+

Economia
 Veja todas as noticias e artigos relacionados a Economia