Google
Matérias, artigos e empresas relacionados a Manutenção e Suprimentos para a indústria
Esqueci minha senha

Marcopolo negocia outra parceria com o grupo Tata

Mais notícias relacionadas a comércio internacional:

Taiwan: mercado promissor de produtos siderúrgicos
Cenário dos laminados planos é dominado pela China Steel Corporation (CSC), única empresa com usinas ...


O que são exportações invisíveis
Também conhecidas como exportações intangíveis, incluem pagamentos, licenciamento e repatriação de lucros entre empresas.


Camex anuncia redução de imposto de importação até 2014
Máquinas e bens de informática não produzidos no Brasil


“Olhe ali, são camelos”, espanta-se um turista. Isso mesmo, camelos. Os animais, que no imaginário do brasileiro vivem apenas nos desertos, estão ali, na estrada que vai da capital da Índia, Nova Delhi, a Agra, cidade a 250 km que abriga um dos principais cartões postais do país, o Taj Mahal, um mausoléu todo construído em mármore branco. Os camelos transportam pessoas. O transporte de passageiros também é feito por bicicletas, tratores, muitos riquixás motorizados (carrinhos atrelados a uma motocicleta) e alguns poucos e muito velhos ônibus. Vez ou outra, é preciso desviar de um caminhão que vem na contramão na pista de maior velocidade.

Com esse cenário, sem dúvida, o que não falta é oportunidade para a instalação de uma empresa de ônibus. E é aqui, na Índia, que a fabricante brasileira de carrocerias de ônibus Marcopolo quer desenvolver sua nova plataforma para o mercado asiático. Em maio, a empresa anunciou uma joint venture com a gigante Tata Motors para montar e vender ônibus rodoviários, urbanos e microônibus. A Tata, com 51% do capital, fabrica o chassis. A Marcopolo, com 49%, entra com a carroceria e a tecnologia.

Agora, a Marcopolo negocia com a Taco (Tata Components) nova joint venture, para fabricar componentes para os ônibus, como janelas, poltronas e painéis. O objetivo é verticalizar a produção e reduzir ao máximo os custos. Os detalhes finais do negócio devem ser finalizados na próxima semana, quando representantes da Tata estarão no Brasil acompanhando o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh para a cúpula do IBAS, grupo formado por Índia, Brasil e África do Sul.

“Devemos assinar o memorando de entendimentos até o fim deste mês”, afirma Shiram Jayanthi, responsável da Marcopolo para o projeto Índia. Jayanthi é um indiano que está há 15 anos no Brasil e passou pela Volkswagen. Há dois anos, foi contratado pela Marcopolo para trabalhar no desenvolvimento de um projeto para a Índia. Agora, com a joint venture, vai voltar para sua terra natal.

Os números do investimento nesse projeto ainda não estão definidos. "Mas o objetivo é que a nova unidade entre em funcionamento junto com a fábrica de ônibus, a partir de maio de 2005", diz Jayanthi. Os componentes serão também vendidos para terceiros. "Agora, pegamos o jeito Tata de fazer negócio. Eles são muito abertos, muito diretos e transparentes."

Fundado em 1868, o grupo Tata é um dos maiores da Índia, com 93 empresas: de chás a aço, hotéis, telecomunicações e eletricidade. Fatura US$ 17,8 bilhões e tem um valor de mercado de US$ 45 bilhões. No Brasil, iniciou atividades em 2002, com a Tata Consultancy Services (TCS), na área de tecnologia da informação. E está interessada no setor automotivo - assunto que estará em pauta na reunião entre os ministros de Brasil, Índia e África do Sul. Hoje, o Brasil mantém um acordo de preferências (descontos em tarifas) com a Índia, mas a lista não inclui automóveis e autopeças. Há rumores de que a Tata teria interesse em instalar uma montadora no país.

Representantes do grupo indiano acreditam que sua experiência em produzir veículos a baixo custo poderá ser uma vantagem no mercado brasileiro. Na Índia, o carro mais barato hoje custa entre US$ 4 mil e US$ 5 mil dólares e a Tata está desenvolvendo um modelo que ficaria próximo de US$ 2,5 mil.

A produção a baixíssimo custo é um dos principais desafios da Marcopolo no mercado indiano. O preço do ônibus deverá ser um terço menor do que em outros mercados em que a brasileira atua. "A Índia é um mercado de preço, e não de valor agregado. Os ônibus são mais baratos do que estamos acostumados, mais despojados", afirma Jayanthi. A fábrica de ônibus que a brasileira e a Tata estão construindo em Dharwad, a 400 km de Bangalore, deve ter investimentos de US$ 44 milhões, sendo US$ 13,3 milhões na primeira fase. Inicialmente, serão fabricados 7 mil unidades/ano. O mercado indiano, segundo o vice-presidente da Marcopolo, José Antônio Fernandes Martins, é de 45 mil a 47 mil unidades anuais e a Tata (que já faz o chassis) responde por 60% disso. É o segundo maior mercado do mundo e quase o dobro do brasileiro.

Na primeira fase, a prioridade será atender o mercado indiano, por causa da grande demanda prevista com os altos investimentos no setor rodoviário. "O transporte na Índia era concentrado em trens e está muito congestionado. Só agora começaram a investir na construção de estradas, como o Golden Quadrilater, que irá ligar as quatro principais cidades do país", diz Jayanthi. Estudos indicam que a demanda por ônibus será crescente nos próximos sete a oito anos. Em uma segunda etapa, a empresa vai também a exportar para mercados asiáticos e do Oriente Médio. A capacidade total pode chegar a 60 mil ônibus por ano. Os camelos que se cuidem.

Raquel Balarin / Valor

facebook      twitter      google+

* campos obrigatórios

Outras notícias relacionadas a comércio internacional:

Importação de produtos químicos da Índia

A indústria química indiana está em franca expansão. O setor proporciona hoje um grande volume de negócios dentro e fora do país. Produtos químicos ...
Pesquisa mostra recuperação da indústria chinesa

A produção industrial na China melhorou neste mês de outubro, dando sinais de que uma recuperação pode estar tomando forma depois de uma queda acentuada da segunda ...
Definição de certificado de origem

O certificado de origem é um documento importante no comércio internacional que atesta que os bens em um embarque de exportação específico são inteiramente obtidos, produzidos, fabricados ...
Diferença entre marca de serviço e marca registrada

Se você fabrica um produto ou oferece um serviço, provavelmente quer que sua empresa tenha uma identidade única para permitir que seus clientes saibam a origem do produto ou ...
Modelos de comércio internacional

Modelos de comércio internacional têm sua origem na teoria da vantagem absoluta apresentada por Adam Smith, que demonstrou que era benéfico para um país se especializar ...
Déficit em químicos alcança US$ 12,0 bi no primeiro semestre

As importações brasileiras de produtos químicos totalizaram mais de US$ 19,4 bilhões no primeiro semestre de 2012, enquanto as exportações somaram US$ 7,4 bilh ...
China pretende criar zona de conversão da moeda

A China planeja criar uma zona especial para experimentar com a convertibilidade da moeda em Shenzhen (foto), cidade em que introduziu as principais reformas econômicas há três d ...

Comércio Internacional
 Veja todas as noticias e artigos relacionados a Comércio Internacional


Veja na Agenda de Feiras e Congressos
Veja na Agenda de Feiras e Congressos

Google