Uma das principais siderúrgicas do País, a Arcelor Brasil, que produz 10 milhões de toneladas de aço e gera 3,7 milhões de toneladas de resíduos e co-produtos, anunciou ontem, durante a 6ª Conferência Latino-Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social, em Belo Horizonte, que está investindo em Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL).

A decisão em investir nos projetos de MDL faz parte do programa de gestão ambiental da Arcelor que foi adotado depois que a empresa descobriu que gastava muito para dar destino ecologicamente correto aos rejeitos da produção industrial. Agora os resíduos do processo siderúrgico são reaproveitados no próprio processo produtivo ou comercializados para setores como indústria de cimento, cerâmica e pavimentação rodoviária. A venda desses produtos representa para a Arcelor uma receita média anual em torno de US$ 45 milhões.

"Estamos com quatro projetos de MDL na ONU ( Organização das Nações Unidas), sendo que um já está aprovado. Um deles recupera os gases que são formados na fabricação do aço na Aciaria, em Serra (ES)", contou o presidente da siderúrgica no Brasil, José Armando Campos.

Os quatro projetos da Arcelor Brasil deverão gerar 11 milhões de toneladas de CO2 em créditos ao longo de 10 anos.

Durante a Conferência, outra empresa também anunciou a participação no mercado de créditos de carbono: a Celulose Irani S/A, a primeira companhia brasileira e a segunda no mundo a ter créditos de carbono emitidos pelo Protocolo de Kyoto. O projeto de MDL, que foi desenvolvido pela Ecosecurities, tem origem em projetos de co-geração de energia elétrica a base de biomassa, localizado na fábrica de papel da Irani, em Vargem Bonita (SC).

Segundos levantamento dos participantes da Conferência, empresas brasileiras já planejam outras formas de aquisição de carbono, como é o caso do uso de resíduos florestais e industriais para produzir biomassa e usá-la como fonte de energia. As florestas de eucalipto mantidas por diversas companhias também contribuem com o "seqüestro" de carbono, que rende créditos para negociação na Chicago Climate Exchange.

Contudo, a falta de conhecimento sobre normas técnicas e exigências internacionais ainda geram dificuldades para a elaboração de projetos de créditos de carbono e, consequentemente, a conquista de linhas de crédito para a implementação. "Temos linhas de financiamento sem limites para investimentos em mercado de carbono. Não utilizamos porque a maioria dos projetos não é aprovado", disse Hajime Uhida, diretor comercial do Banco Sumitomo Mitsui Brasileiro. (Ivonéte Dainese - InvestNews)

Autor(es): Gazeta Mercantil

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