Empreendimento foi construído em 30 meses e vai extrair 30 milhões de toneladas por ano. Estimulada pelos sucessivos aumentos nos preços do minério de ferro, e pelas crescentes encomendas internacionais, a Companhia Vale do Rio Doce construiu em apenas 30 meses e inaugurou ontem a gigantesca mina de Brucutu, localizada a cem quilômetros da capital mineira e que irá extrair 30 milhões de toneladas do produto, por ano. Trata-se da maior mina de minério de ferro do mundo em capacidade inicial de produção, na qual a empresa investiu US$ 1 bilhão em obras que não pararam em um único dia ou noite, durante o período. Com tanto dinheiro jogado tão bruscamente na mina, desorganizou-se a vida das pequenas cidades da região que tiveram suas receitas multiplicadas, ainda na fase das obras, como a receita do Imposto sobre Serviços, cobrado das construtoras. Graças a esse tributo, até então inexistente na contabilidade municipal, o prefeito do pequeno município de São Gonçalo de Rio Abaixo, Raimundo Nonato Barcelos, patrocinou a construção de uma universidade no local, sem se importar que a cidade não disponha de curso secundário completo e, sequer, de água tratada.

A estimativa da empresa é de que a mina ofereça a receita de US 1,2 bilhão anual. Todo o investimento será resgatado em um único ano de operação e o cálculo tem como referência a tonelada do minério cotada a US$ 40. "Toda a produção já está vendida e caso haja novas encomendas internacionais, poderemos reativar outras jazidas na vizinhança", declarou o presidente da companhia, Roger Agnelli.

Brucutu é o maior investimento realizado atualmente pela Vale do Rio Doce no País e trata-se de um empreendimento tão grandioso que até mesmo a sua gigantesca mineração em Carajás no Pará, iniciou as atividades com a metade dessa produção. Em decorrência do início de suas atividades, a empresa passa a produzir 300 milhões de toneladas anuais de minérios, das quais dois terços serão extraídas em Minas.

Na verdade, a jazida de Brucutu já pertencia à mineradora desde 1990, quando foi adquirida do Grupo Caemi e operava com acanhada produção de 6 milhões de toneladas anuais. Sua produção era basicamente de itabirito, um tipo de minério de ferro de baixo teor e, portanto, rejeitado pelos clientes. Com a explosão das compras chinesas, mesmo os minérios desprezados tornaram-se valiosos e a Vale decidiu, em 2003, investir US$1 bilhão nas jazidas, com o objetivo de concentrar o seu teor e, ao mesmo tempo, quintuplicar a produção da mina.

Apesar da grandiosidade do empreendimento, nenhuma autoridade federal nem o governador Aécio Neves, que é amigo de Agnelli, compareceram à solenidade. O presidente da Vale explicou que todos estavam em campanha eleitoral. Mas, mostrou-se satisfeito com a presença dos seus principais clientes no mundo, entre eles o presidente da japonesa Nippon Steel, Akio Mimura; da Ternium, Martin Berardi e da norte-americana Nucor, Dan Dimicco. Segundo informações da empresa, Brucutu vai gerar R$ 50 milhões em impostos, por ano. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Durval Guimarães)

Autor(es): Gazeta Mercantil

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