A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) só vai anunciar na segunda-feira se obteve adesão da totalidade dos acionistas da mineradora canadense de níquel Inco à sua oferta de compra, no valor de 86 dólares canadenses por ação. À meia-noite de ontem, no horário de Toronto, expirou o prazo para o depósito dos papéis dos acionistas que não acataram a oferta da Vale até 23 de outubro, quando a adesão chegou a 75,6% do capital da Inco. A Vale não fará novo adiamento de prazo, segundo informou sua assessoria de imprensa.

A Vale já desembolsou US$ 13,3 bilhões pela Inco, cifra que pode alcançar valor próximo de US$ 18 bilhões se a companhia adquirir a totalidade das ações da canadense. A mineradora deixou clara sua intenção de obter 100% da Inco. Segundo analistas ouvidos pela Agência Estado após a Vale ter conseguido 75,6% do capital da Inco em 23 de outubro, a expectativa era que os demais acionistas também optassem por se vender as ações.

Entre os motivos apontados para os acionistas se desfazerem dos papéis estaria a baixa liquidez esperada para as ações da Inco remanescentes no mercado, a redução do poder de barganha dos acionistas num cenário em que a Vale passa a deter a maior parte do capital da Inco, e o preço oferecido de 86 dólares por ação, próximo ao que o mercado considera justo.

Segundo informou o diretor-executivo de assuntos corporativos da Vale, Tito Martins em teleconferência com jornalistas após a compra da Inco, a regulamentação do mercado canadense possibilita o chamado "squeeze-out", em que minoritários têm de se desfazer de suas ações. Martins disse que, quando a Vale superou 66% de participação na Inco, passou a se adequar a essa situação.

Para financiar a compra da Inco, a Vale contou com empréstimo sindicalizado que tornou disponíveis à mineradora brasileira US$ 34 bilhões. A operação foi coordenada por Credit Suisse, UBS, ABN Amro e Santander e contou com a participação de 34 bancos. Recentemente, a Vale informou que vai usar US$ 2 bilhões do seu caixa para pagar a compra e anunciou emissão de R$ 5 bilhões em debêntures simples, como um dos instrumentos para refinanciar a dívida.

A Vale quer acelerar os investimentos nos projetos de níquel da Inco na mina de Goro, na Nova Caledônia, no sul do Oceano Pacífico, e os estudos para ampliar atividades da PT Inco, subsidiária da Inco na Indonésia. O cronograma de operações de Goro está atrasado, mas pode ser antecipado com a aquisição da Inco pela Vale. Estima-se que a mina de Goro terá capacidade para produzir 60 mil toneladas de níquel por ano. A única antecipação já prevista pela Vale, porém, é o início do funcionamento de refinaria de Voisey´s Bay Nickel, no Canadá, de 12 a 18 meses mais cedo que a estimativa inicial de 2011.

As reservas de níquel da Inco são estimadas em 7,8 milhões de toneladas. Com a aquisição da canadense, a Vale passa a ocupar a segunda colocação entre as mineradoras mundiais, atrás da BHP Billiton. Antes da compra da Inco, a Vale tinha dois projetos em níquel: Vermelho e Onça Puma, ambos no Pará. Especialistas avaliam que a entrada da Vale no ranking dos maiores produtores mundiais de níquel não deve alterar os fundamentos do mercado do setor. A expectativa é que os preços internacionais do níquel continuem elevados nos próximos anos, diante de um déficit entre oferta e demanda do metal, apesar dos investimentos previstos para a expansão da produção mundial.

Autor(es): Agência Estado

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