A proposta de compra da anglo-holandesa Corus pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ainda depende de análises que podem levar de duas a três semanas para terminar. O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, afirmou que está aguardando a disponibilidade de dados estratégicos da Corus para então decidir se mantém a oferta de aquisição. A “duo diligence”, de acordo com o empresário, começa nesta semana.

“Acho que seriam necessárias duas ou três semanas para a verificação dos dados”, afirmou, de Londres, o executivo em teleconferência a jornalistas. A CSN disputa com a indiana Tata Steel o controle da siderúrgica anglo-holandesa. A proposta da brasileira, de US$ 8,2 bilhões supera a da rival (US$ 7,8 bilhões). A CSN revela que o negócio deve provocar uma produção anual de 24 milhões de toneladas de aço a partir do consumo de 53 milhões de toneladas de minério de ferro - o que daria à CSN o título de quinta maior siderúrgica do mundo, atrás da gigante Mittal/Arcelor, seguidas pela japonesa Nippon Steel, a sul-coreana Posco e a japonesa JFE Steel.

O consumo de minério de ferro pela CSN dobrará se for concretizada a aquisição da companhia européia. A idéia é fornecer matéria-prima a partir da produção da Casa de Pedra, mina da CSN. O excedente de produção, hoje com preferência da Vale do Rio Doce, praticamente acabaria. Steinbruch afirmou que planeja vender 10% a 20% do capital da mina para. Segundo o executivo, o ativo seria valorizado no decorrer do processo de abertura de capital e venda de ações. “A CSN vale hoje US$ 8 bilhões e a acho que a Casa de Pedra tem o mesmo valor. Vamos abrir de 10% a 20% do capital na medida em que o mercado reconheça isso. É um ativo estratégico”, revelou.

Diretores da companhia que participaram da teleconferência afirmaram que a CSN tem empréstimo firmado em compromisso formal com bancos “muito superior aos 100% necessários” à compra da Corus. Entre os bancos contratados para a operação estão o Barclays, o Goldman Sachs Credit Partners e o BNP Paribas.

Corus e CSN já namoraram antes. Mas, em 2002, foi a Corus que tentou comprar a brasileira. No início do ano, a Corus voltou a falar em união, mas não em compra. Em nota, a CSN afirmou que a aquisição seguiria “uma lógica estratégia e industrial”. A Corus poderá utilizar o minério de ferro produzido pela CSN na mina de Casa de Pedra e a companhia brasileira poderá ter acesso à rede de comercialização da pretendida na Europa para aumentar as exportações.

Autor(es): Gazeta Mercantil

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