De Vitória

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) está investindo mais de R$ 28 milhões por ano para reduzir a emissão de particulados na região de Vitória. A estas cifras a mineradora soma mais de R$ 13,8 milhões em investimentos sociais em 2005, concentrando esforços para reverter a imagem de grande poluidora no Espírito Santo. A Vale está instalada no complexo industrial e portuário de Tubarão, que abriga também a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e a Petrobras. Mesmo sendo uma das maiores empregadoras do setor privado capixaba, com mais de 67 mil empregos diretos e indiretos gerados, a companhia é alvo de ações judiciais movidas por cidadãos e associações de moradores.

Cerca de 81 mil pessoas vivem na região da praia de Camburi, na Grande Vitória (ES). Boa parte da praia é imprópria para banho por causa da poluição causada pelo despejo de esgoto em canais e direto no mar. Uma poeira escura costuma cair sobre casas e prédios. O problema da poeira atinge outras partes da Grande Vitória, mas é mais intenso na região de Camburi.

Romildo Fracalossi, gerente de meio ambiente, saúde e segurança do trabalho da Vale em Vitória, afirma que a poeira gerada pela empresa não é prejudicial à saúde, é composta apenas de minério de ferro e não pode ser inalada. Porém, Sueli Passone Tonini, diretora técnica do Instituto Estadual de Meio Ambiente (IEMA), diz que não existem estudos conclusivos sobre a perniciosidade da poeira de minério: “É difícil afirmar que ela não faz mal. É possível que ela agrave problemas respiratórios, provoque reações alérgicas, além de causar stress às pessoas que convivem com o problema”.

O instituto desenvolve em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo um estudo que deve, no prazo de dois anos, fornecer dados técnicos à entidade para o estabelecimento de taxas máximas de emissão do sedimento.

O relatório anual do IEMA em 2005 classifica como boa a qualidade do ar em toda a Grande Vitória, inclusive na região de Camburi, levando em conta as substâncias prejudiciais à saúde estabelecidos nos padrões nacionais do Comitê Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Segundo Fracalossi, a participação aproximada da Vale no total da poeira que incomoda tanto os capixabas oscila de 20% a 30%. Para o IEMA, esses dados ainda são estimativas imprecisas que só com a conclusão do estudo mais profundo poderão ser confirmados. “Nossa proposta é conhecer o DNA da poeira: de onde veio e qual sua composição”, afirma Tonini. A CVRD apóia a iniciativa do Instituto.

A Vale do Rio Doce pretende investir R$ 221 milhões nos próximos três anos para suprimir sua emissão de particulados. Investiu R$ 4 milhões no desenvolvimento de um substância para ser aspergida no minério impedindo-o de gerar poeira, sem aumentar a umidade do produto, o que poderia desvalorizá-lo. A companhia possui em operação 65 filtros de manga, que funcionam como coadores de café, 26 lavadores de gases e 16 precipitadores eletroestáticos, que conseguem impedir a emissão de até 99% de poeira no ar. A aspersão de água é feita em todo o processo de locomoção do minério, desde a chegada dos vagões.

A empresa espera diminuir em 4% a emissão de partículas sedimentáveis nos próximos anos, mesmo ampliando a produção nas sete usinas de pelotização construindo uma oitava unidade. Em 2005, a CVRD produziu 27,8 milhões de toneladas de pelotas de ferro em Tubarão, o que faz do Espírito Santo o maior pólo de granulação de minério para exportação no mundo. (T.C.).

Autor(es): Assessoria de Imprensa

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