Resultado superior às expectativas projetadas por analistas de mercado, a produção industrial brasileira registrou crescimento de 0,8% em novembro em relação a outubro do ano passado. Ante o mesmo mês apurado de 2005, a produção do setor expandiu em 4,2%. Os dados pertencem à Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De janeiro a novembro do ano passado, a produção da indústria brasileira acumula expansão de 3,1% e, no período de 12 meses, o índice chega a 3%. Em outubro, a taxa acumulada de crescimento do setor era de 2,8%. Analistas de mercado apostam em fechamento do índice em 3% até dezembro para 2006.

A média móvel trimestral – importante indicador de tendência da produção industrial – aponta para variação positiva de 0,2% entre os trimestres encerrados em outubro e novembro. Na avaliação do IBGE, os números verificados no 11º mês de 2006 indicam sinais de discreta recuperação no ritmo da atividade industrial brasileira.

Ao decompor os resultados da pesquisa de novembro, o setor de bens de capital, com alta de 2,2%, alicerça o maior ritmo de crescimento entre as categorias de uso e ainda supera dois meses de quedas acumuladas em 2,4%.

Em relação ao mesmo mês de 2006, o índice de expansão de bens de capital chega a 7,9%. E, logo atrás, está o setor de bens intermediários, com crescimento de 1,6% de um outubro para novembro e expansão de 3,2% em relação a novembro do ano anterior.

Enquanto isso, o setor de bens de consumo foi na contramão dos demais e registra recuo de 0,1% em novembro do ano passado. No entanto, ao contrapor os números desse mês com o mesmo período do ano anterior, o saldo de crescimento é de 4,4%.

Ao desmembrar o setor de bens de consumo em duráveis e semiduráveis e não-duráveis verificam-se quedas de 0,1% e 0,6%, respectivamente. Ao comparar novembro do ano passado com o mesmo mês de 2005, duráveis expandem a produção em 10,4% e semiduráveis e não-duráveis registram alta de 2,8%.

PERSPECTIVA - O economista da Universidade Imes (Universidade de São Caetano) Francisco Funcia avalia positivamente os números apresentados pela pesquisa do IBGE. “Para a economia, é um resultado positivo porque surpreende se comparado aos números previstos para o período”, considera.

Ao analisar o destaque da pesquisa – os bens de capital –, Funcia ressalta a importância do desempenho do setor para o crescimento da economia brasileira. “Bens de capital refletem o dinamismo econômico porque o setor fornece bens de produção para outros setores da economia”, enfatiza. Dessa forma, segundo ele, revela-se tendência positiva de crescimento para este ano.

Em relação à expansão acumulada entre janeiro e novembro do ano passado de 7,3% no setor de bens duráveis, Funcia aponta para a importância da expansão da oferta de crédito no período. “O crédito é importante para o desenvolvimento da economia. A expansão da oferta só é negativa se endividamento gerar inadimplência”, explica.

Ainda no setor de produção de bens duráveis, Funcia cita o crescimento de 3% na fabricação de automóveis, atrás da expansão registrada nas produções de celulares (29,5%) e eletrodomésticos (14,3%). “O crescimento da indústria automobilística não foi mais acentuado porque o câmbio está desfavorável às exportações”, analisa o economista.

Autor(es): Diário do Grande ABC

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