A Arcelor Brasil, controlada pela Arcelor Mittal - maior siderúrgica do mundo, com produção superior a 100 milhões de toneladas por ano -, vai disputar com o Grupo Gerdau as pequenas produtoras de aços longos na América Latina. A companhia, que no Brasil reúne os ativos da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Vega do Sul e Belgo - além de uma participação na Acesita -, já rastreou as oportunidades de aquisições na região e identificou pelo menos 20 negócios.

Segundo Leonardo Horta, diretor de relações com investidores da Arcelor Brasil, esse é o grupo de empresas com produção inferior a 1 milhão de toneladas de aço longo por ano e potenciais alvos de oferta.

“Nos próximos cinco anos, a empresa deverá anunciar muitas aquisições na região. Somos um grupo consolidador e há muitas oportunidades sendo avaliadas nestes momento”, explica Horta. O objetivo é manter-se como um grande grupo siderúrgico também na América do Sul e Central para enfrentar a Gerdau, classificada como “competidor agressivo”.

Em 2006, a Gerdau desembolsou US$ 1 bilhão para aquisições. Foram seis compras: a Siderperu, no Peru; a Callaway, Fargo, Sheffield e Pacific, nos Estados Unidos; e a Sidenor, na Espanha. Agora, a Gerdau tenta participar de um leilão na Colômbia, onde a empresa já domina o mercado de aços longos. Até 2009, a Gerdau tem mais US$ 4 bilhões para investimentos, US$ 1,6 bilhão no exterior.

Horta afirma que a empresa pretende adquirir pelo menos mais 2 milhões de toneladas de capacidade no período de cinco anos. Ele mesmo considera a possibilidade de as aquisições no período superarem esse volume. “Não tomem esse número como um volume final”, recomendou o diretor, em conferência de imprensa, ontem à tarde, durante a apresentação do balanço financeiro de 2006.

A produção de aço bruto da empresa atingiu recorde de 10,1 milhões de toneladas no ano passado, o que trouxe uma receita operacional líquida de R$ 14,1 bilhões, 5% acima do registrado em 2005. Para 2007, a Arcelor Brasil pretende ampliar a produção de aço longo e aço plano. Segundo Horta, a previsão é que a empresa produza 5 milhões em aços longos. Em aços planos, a previsão do diretor é que a produção atinja 6,4 milhões de toneladas, já como efeito parcial da expansão de 2,5 milhões de toneladas na CST.

O balanço, anunciado ontem, mostrou que a Arcelor Brasil registrou uma queda de 30,3% no lucro líquido em 2006. A empresa fechou o exercício com lucro líquido de R$ 2,26 bilhões.

Horta disse que três fatores foram determinantes para a redução do lucro líquido: valorização do real frente ao dólar, que afetou o resultado das exportações - receita que responde por 33% do faturamento; elevação no custo de insumos, principalmente o minério de ferro; e o efeito contábil provocado pela valorização do real frente o peso, que minimizou os ganhos da Acindar, na Argentina.

No último trimestre, o lucro líquido da Arcelor Brasil dobrou em relação ao mesmo período de 2005. De outubro a dezembro, a empresa lucrou R$ 820 milhões, contra R$ 397 milhões em 2005.

Autor(es): Agência Estado

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