Com celebração de uma missa num dos galpões do canteiro de obras, a MMX retomou ontem de manhã as obras da siderúrgica em construção no distrito de Maria Coelho, distante 43 km de Corumbá, paralisada desde o dia 10 por ordem judicial. Na última quinta-feira, a empresa conseguiu reverter o caso, com a suspensão da liminar do juiz substituto Gílson Pessotti, da Justiça Federal, pelo Tribunal Regional da 3ª Região, em São Paulo.

O reinício da obra de US$ 150 milhões atrasará em dois meses a conclusão do primeiro alto-forno, que está com 90% de sua instalação concluída. O ritmo do trabalho foi lento no primeiro dia e deverá permanecer assim por uma semana, prevê o gerente de produção da usina, Paulo Roberto de Azevedo. Dos 760 operários que trabalham no dia do embargo, 550 retornaram ontem. Os demais moram em outras regiões e obtiveram folga com a paralisação.

"Retomamos a obra com muito otimismo, os trabalhadores festejando o grande dia, depois da ameaça de demissão, e a MMX mostrou, mais uma vez, que o tempo vai responder aos questionamentos ambientais", disse Paulo Azevedo. "Todas as exigências no campo ambiental estão sendo rigorosamente cumpridas e o que a empresa quer em Corumbá é produzir, agregar valor ao minério e gerar empregos."

Além dos dois fornos em construção, o estágio da obra hoje inclui o sistema de tratamento da água a ser consumida, que vai ser reaproveitada após resfriamento e tratamento; uma caixa de água para dois milhões de litros; poços artesianos; silo para armazenar oito mil metros cúbicos de carvão vegetal; silo para estocar 1,2 mil tonelada de minério. Também foi montada uma correia para transportar carvão e minério, simultaneamente, para os fornos.

Bolívia

O gerente da siderúrgica de Corumbá informou que o presidente da Bolívia, Evo Morales, assinou decreto autorizando a MMX a retirar os equipamentos da usina semipronta em Puerto Suarez, nesta fronteira. Com planta similar à de Corumbá, a usina foi embargada em março do ano passado por ato do presidente, alegando irregularidades de instalação. A MMX teria apoiado financeiramente o candidato adversário de Morales.

A autorização foi dada na semana passada e a diretoria da MMX, no Rio de Janeiro, ainda não decidiu qual o destino dos equipamentos da usina boliviana. Parte deles deverá ser reaproveitada no projeto de Corumbá, mas, segundo Paulo Azevedo, ainda não é uma posição final do grupo. A siderúrgica de Puerto Suarez situa-se próxima à rodovia de acesso à fronteira e ao complexo portuário da região.

Autor(es): Correio do Estado (Sílvio Andrade)

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