Há sinais de que o “espírito animal” do empresariado está começando a acordar, apesar da falta de infra-estrutura, da ausência das reformas econômicas, do câmbio desfavorável à exportação e dos riscos de desaceleração da economia mundial que podem afetar o País, como se viu na semana passada. O aumento da atividade industrial chega a um número cada vez maior de setores conferindo mais qualidade ao crescimento.

“O Brasil é como um cavalo no grid, pronto para disparar”, entusiasma-se o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. “Na economia em geral, há uma disposição muito grande em fazer novos investimentos, de aumentar a capacidade e de modernizar os parques industriais”, concorda o empresário Luiz Carlos Delben Leite, que durante anos presidiu a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq).

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, afirmou que o setor se prepara para entrar num “novo patamar de tamanho de indústria”. Na última quinta-feira (26), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa na qual 21 entre 27 setores consultados registraram aumento da produção.

A força que puxa todo esse processo se chama mercado interno. Com a queda dos juros e da inflação e a melhora do emprego, há mais ânimo para consumir. Esses elementos já estavam presentes no ano passado, mas 2007 traz uma novidade: o aquecimento da indústria está apoiado em bases mais sólidas, segundo aponta estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “O perfil do crescimento mudou, e é nessa mudança que reside uma qualidade maior”, disse o economista-chefe da entidade, Edgard Pereira.

Os líderes da atividade industrial deste ano são setores que “puxam” outros e, por isso, espalham mais os efeitos de melhoria do emprego e da renda, realimentando o ciclo positivo da economia. É o caso, por exemplo, da indústria automotiva, cujas vendas ao mercado interno crescem a um ritmo de 22%, ativando também seus fornecedores de peça, aço e outros. O maior destaque de 2007 é o setor de máquinas e equipamentos, que aumentou suas vendas no mercado interno. É outro sinal positivo que os demais setores industriais também estão se preparando para um ritmo mais forte.

Autor(es): Agência Estado

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