Indústria cresce 4,3% em setembroA produção industrial no Brasil cresceu 4,3% em setembro de 2003 em relação ao mês de agosto. É o que indica a última pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que aponta um resultado positivo pela terceira vez consecutiva, levando a um crescimento de 6,9% entre junho e setembro deste ano. Segundo analistas da consultoria Global Invest, o crescimento indica uma recuperação do setor industrial. “O aumento da produção no fim de 2003 é superior aos aumentos do indicador nos mesmos períodos de 2002 e 2001”, informa a consultoria em relatório divulgado a clientes.

Na comparação com setembro de 2002, o crescimento foi de 4,2% e é o mais elevado do ano, superando o resultado de fevereiro, que foi de 4,0%. Dos 20 ramos pesquisados, 13 tiveram crescimento. Os de maior impacto sobre o índice global foram: indústria química (6,3%); mecânica (10,6%); de produtos alimentares (4,9%); e de material elétrico e de comunicações (9,2%). Dos 7 ramos em queda, os que mais pressionaram o índice geral foram vestuário e calçados (-6,8%), minerais não-metálicos (-5,9%) e produtos de matérias plásticas (-9,3%).

O aumento observado no ritmo de produção, entre agosto e setembro últimos, atingiu 16 dos 20 ramos pesquisados e 4 quatro categorias de uso. Destacam-se os resultados observados em mobiliário (14,5%), material elétrico e de comunicações (13,9%) e farmacêutico (10,7%). A produção metalúrgica, setor relativamente mais aberto às exportações, mas também com forte encadeamento interno, destaca-se por apresentar crescimento há 5 meses consecutivos com ajuste sazonal e acumula taxa de 8,6% entre março e setembro de 2003.

O crescimento generalizado de setembro também se deve pelo fato de que, dos 61 subsetores pesquisados, 40 cresceram. No último mês de agosto, somente 22 subsetores tiveram índices positivos.

A pesquisa também revela taxas positivas entre os meses de julho e setembro de 2003, tanto em relação ao mesmo período de 2002, com 0,2%, quanto em relação ao trimestre abril-maio-junho, que foi de 1,8%. Em comparação ao segundo trimestre do ano, nos meses de julho a setembro, a taxa mais elevada foi a de bens de consumo duráveis (7,4%), seguida de bens intermediários (2,4%), bens de capital (1,8%). A categoria de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis apresentou resultado negativo (-0,6%).

Na comparação com setembro de 2002, o crescimento de 4,9% no segmento de bens de consumo duráveis foi influenciado pelo desempenho da produção de eletrodomésticos que, em conjunto, cresce 11,7%, com o segmento da "linha marrom" (TV, rádio e som) atingindo 17,3% de aumento. Nesse mesmo tipo de indicador, a área de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis teve ligeiro crescimento (0,6%), sendo seu primeiro resultado positivo desde março de 2003, devido, basicamente, ao aumento de 13,6% verificado na produção de carburantes (gasolina e álcool). O desempenho de bens intermediários (4,3%) é muito próximo ao da média global da indústria (4,2%) e reflete o comportamento positivo de vários subsetores, como: insumos industriais elaborados (2,1%); peças e acessórios para bens de capital (25,3%); alimentos e bebidas elaborados para indústria (11,3%) e combustíveis e lubrificantes elaborados (5,8%).

O comportamento favorável da atividade industrial em setembro tem impacto nos índices de média móvel trimestral, que passam a apresentar movimento positivo em todas as categorias de uso. Na indústria geral, o aumento observado neste índice entre os meses de agosto e setembro é de 2,3%, com destaque para bens de consumo duráveis (4,1%), seguido de bens de capital (3,9%), bens intermediários (2,3%) e bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (1,0%).

O acumulado do ano entre os meses de janeiro e setembro apresenta um ligeiro aumento de 0,1% para a indústria geral, com a extrativa mineral crescendo 2,1% e a indústria de transformação caindo 0,2%. Em agosto, a extrativa mineral já apresentava esse mesmo ritmo, mas a indústria de transformação tinha taxa de -0,8%. Entre os 10 ramos com crescimento em setembro, o mecânico (9,3%) se mantém com o resultado mais importante, seguido do metalúrgico (5,3%) e de extrativa mineral (2,1%). As maiores pressões negativas sobre a taxa global da indústria foram a de vestuário e calçados (-13,8%), material elétrico e de comunicações (-5,4%) e farmacêutica (-18,6%).

Nos índices por categorias de uso, a de bens intermediários (1,3%) se manteve como o único segmento acima da média global. Nos demais, os índices foram negativos: bens de capital (-1,4%), bens de consumo duráveis (-3,5%) e bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (-3,8%).

O IBGE divulga mensalmente a pesquisa sobre a produção industrial no Brasil que abrange os seguintes Estados: Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Autor(es): Andréa Malta

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