Com recordes mensais consecutivos de produção e vendas - em outubro foram comercializados 244,5 mil veículos, maior número do que em qualquer mês da história (o anterior foi agosto, com 235,3 mil unidades) -, a indústria automobilística está perto de ocupar toda a sua capacidade e prevê investir em novas fábricas para não perder espaço para os importados. Isto é viável porque o setor voltou a ser lucrativo: numa das principais montadoras, a área da América Latina foi, no 3º trimestre, líder mundial em resultados.

Entre os meses de outubro de 2006 e 2007, o crescimento das vendas alcançou 39,5%. Na comparação entre os primeiros dez meses de 2006 e 2007, o avanço foi de 28,8%. O número de veículos vendidos neste ano (1,98 milhão) já supera o total do ano passado (1,92 milhão).

Somando a produção destinada ao mercado interno e à exportação, deverá se atingir, em 2007, cerca de 3 milhões de unidades, apenas 500 mil abaixo da capacidade total da indústria, de 3,5 milhões de veículos. Algumas montadoras já operam quase sem ociosidade, fato raramente observado no setor nos últimos anos, salvo em momentos excepcionais, como após o Plano Cruzado, em 1986, e o Real, em 1994.

Até as exportações - em outubro, de 79 mil unidades e US$ 1,293 bilhão - tiveram o melhor comportamento do ano. Mas as vendas externas se destinam às matrizes ou outras filiais da mesma empresa, ou seja, prejuízos cambiais são absorvidos pelo mesmo grupo. O câmbio afastou a GM brasileira dos mercados do Chile, da Colômbia e do Peru, onde tinha posição de liderança, perdida para a GM coreana.

Os recordes das montadoras decorrem do ritmo da atividade econômica, da melhora da renda dos trabalhadores e da oferta de crédito a juros abaixo da média do CDC. Foi expressivo o aumento de vendas de caminhões pesados (40,5%) e semipesados (39,5%), bem como de ônibus (19%) - reflexo da safra agrícola e da demanda por transporte coletivo, que seria ainda maior com mais investimento no transporte metropolitano e em linhas intermunicipais.

O crédito para a aquisição de veículos é cada vez mais longo. Mas a realização de operações de até 84 meses causa alguma preocupação, dado o risco de deterioração do bem e enfraquecimento da garantia antes do fim do contrato. Melhor seria, sugeriu o presidente de uma montadora, limitar os prazos à expectativa de vida útil do veículo, menor no Brasil do que em países com melhor infra-estrutura.

Autor(es): Estadão

facebook      twitter      google+

Economia
 Veja todas as noticias e artigos relacionados a Economia