O empresário Eike Batista afirmou ontem que negocia com um grupo siderúrgico a construção de uma usina com capacidade produção de até 10 milhões de toneladas por ano no Porto do Açu, controlado pela LLX, sua empresa de logística. Segundo ele, o investimento faz parte do acordo de venda de ativos assinado com a mineradora britânica Anglo American.

A siderúrgica entraria em operação após 2012, dependendo de planos de expansão do projeto Minas-Rio, que será transferido à Anglo. "Uma das condições do acordo é que parte do minério do projeto de expansão seja usado para produzir aço no Brasil", disse o executivo.

Ele não quis, porém, informar o nome do grupo siderúrgico com quem a MMX e a Anglo American mantêm conversações. Segundo ele, há grande interesse na produção de chapas de aço pesadas para atender à crescente demanda da indústria petrolífera brasileira. "O Porto do Açu fica em frente à Bacia de Campos", lembrou Eike, citando a região responsável por 82% da produção nacional de petróleo.

O projeto elaborado para o porto prevê ainda a construção de uma usina termelétrica a carvão, com potência de 2,1 mil megawatts (MW), e, caso haja descobertas de gás na região, novas usinas movidas ao combustível, ampliando a capacidade geradora para até 6 mil MW.

"Poderemos ter ainda cimenteiras, uma refinaria de petróleo e um alcoolduto", acrescentou o empresário, que pretende transformar a área em um grande complexo industrial, com investimentos de até R$ 30 bilhões.

Sua estratégia para atrair empresas para o Açu toca em um ponto nevrálgico da economia brasileira: o suprimento de energia. "Qualquer empresa que se instalar lá terá suprimento de energia. Haverá usinas do lado de dentro da cerca", disse. Para a usina a carvão, Eike garante ter conseguido a simpatia da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Rio, cujo titular, Carlos Minc, já afirmou diversas vezes ser contrário à tecnologia.

Eike negocia ainda, com a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), a construção de um ramal de 45 quilômetros ligando o porto à malha operada pela companhia. Ele diz que o modal pode ser utilizado também para o escoamento da produção de aço em Minas Gerais.

Autor(es): Agência Estado

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