A diretoria do Grupo Techint, na Argentina, está lançando mão de todos os recursos possíveis para reverter a decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de nacionalizar a siderúrgica Ternium Sidor, a principal das regiões andina e caribenha. Depois de um ano de ameaças, o governo venezuelano anunciou esta semana a estatização da Sidor, o que foi considerado pela imprensa argentina como um golpe de Caracas contra um dos mais importantes grupos industriais da Argentina. A Sidor representa um quarto das vendas de aço de Techint.

A nacionalização coloca o governo argentino em uma situação delicada, já que o casal presidencial Cristina e Néstor Kirchner, atual e ex-presidentes, respectivamente, possuem uma relação muito boa tanto com Chávez como com Paolo Rocca, controlador do grupo Techint. Em 2007, o ex-presidente Néstor Kirchner evitou a nacionalização em meio a graves e explosivas declarações de Chávez contra o grupo. Diante das ameaças de Chávez, na ocasião, Kirchner ligou para o "amigo", como costuma referir-se ao presidente venezuelano, e pediu para resolver o problema com Rocca. No mesmo insante em que Rocca e Chávez se reuniam no Palácio Miraflores, em Caracas, Kirchner anunciava que "o problema de Techint estava resolvido".

Desta vez, o anúncio de Chávez surpreendeu a presidente Cristina, que não teve tempo de interceder pelo grupo multinacional argentino. Ontem à noite, o executivo do grupo levou uma carta à Casa Rosada, endereçada à presidente, pedindo sua ajuda para reverter a situação. No entanto, Cristina se encontrava na periferia inaugurando uma obra. E até o momento não houve nenhuma declaração oficial do governo local.

Usiminas

A reestatização da Sidor afeta a Usiminas, a maior siderúrgica brasileira, que tem 16,6% das ações do Consórcio Amazônia, empresa controladora da Sidor. O Consórcio Amazônia detém 60% das ações da Ternium-Sidor.

A Usiminas entrou no Consórcio Amazônia com a Techint em agosto de 2005, quando foi criada a empresa Ternium, destinada a exercer o controle das siderúrgicas Siderar (Argentina), Sidor (Venezuela) e Hylsamex (México). O investimento da siderúrgica brasileira no consórcio foi de US$ 100 milhões, de acordo com informações da Usiminas.

Autor(es): Estadão

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