Industriais argentinos contra nacionalização da Ternium na Venezuela

A poderosa União Industrial Argentina (UIA) advertiu nesta quinta-feira para as conseqüências negativas da decisão da Venezuela de nacionalizar uma siderúrgica argentina, tanto em termos da integração bilateral e regional quanto em relação aos investimentos.

Em um comunicado, a entidade adverte para as "conseqüências negativas desta iniciativa em relação ao avanço da integração comercial e produtiva da Argentina e da Venezuela".

"A integração da Venezuela como sócia do Mercosul requer, sem dúvida, relações comerciais amigáveis e de confiança mútua, a respeito dos investimentos", indica.

O comunicado recorda as missões comerciais que a entidade promoveu nos últimos anos na Venezuela insistindo em que "as medidas anunciadas irão gerar, sem dúvida, um impacto negativo nas empresas que iniciaram ou buscam iniciar projetos de complementação produtiva" bilateral.

A UIA reconhece, por outro lado, "os esforços que está realizando o governo argentino para defender o projeto Ternium Sidor, que materializa com sucesso a política de integração entre a Argentina, Brasil e Venezuela".

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou na quarta-feira a nacionalização da siderúrgica Ternium-Sidor, que tem como acionista majoritário o poderoso grupo Techint da Argentina.

Por sua vez, o gerente de Planejamento Institucional da Sidor, Luis Domínguez, afirmou nesta quinta-feira que com a decisão final "está em jogo o ideal da integração do Mercosul", o bloco fundado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, em declarações a rádio América de Buenos Aires.

"Sidor é um exemplo precursor por muitos anos do que hoje em dia se tenta concretizar, que é a incorporação da Venezuela ao Mercosul", apontou.

A incorporação da Venezuela foi aprovada pelos parlamentos de Buenos Aires e Montevidéu, mas ainda está pendente em Brasília e Assunção.

Domínguez considerou que Chávez deverá reconsiderar a nacionalização da empresa e afirmou que Ternium Sidor pretende concluir a negociação de contrato coletivo de trabalho com os sindicatos, o problema que gerou a decisão final.

Autor(es): AFP

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