A Usiminas poderá ampliar o volume de investimentos no aumento da produção, segundo admitiu hoje o novo presidente do Conselho de Administração da companhia, Wilson Brumer. O projeto original prevê aportes de R$ 8,4 bilhões, que possibilitarão um aumento da capacidade instalada para 14 milhões de toneladas de aço anuais até 2015. A produção atual chega a 9 milhões de toneladas/ano.

O valor dos ajustes que poderão ser feitos nos programas ainda não foi definido, mas a idéia é que o quarto alto-forno de Ipatinga (MG), que ainda será construído, tenha capacidade para 1 milhão de toneladas a mais do que o previsto.

Depois de deixar uma audiência com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), quando foi apresentar o novo executivo que ficará à frente da empresa, o ex-presidente da siderúrgica, Rinaldo Campos Soares, revelou que o programa inicial sofreu ajustes que são naturais.

Soares deixou hoje a presidência da Usiminas, cargo que ocupou por 18 anos e que passará a ser exercido por Marco Antônio Castello Branco, ex-executivo do grupo francês Vallourec e que foi confirmado pela assembléia de acionistas da empresa. Ele só assumirá efetivamente o cargo no dia 5 de junho. Até lá o presidente interino será Omar Silva Júnior, diretor industrial da siderúrgica.

Cadê

O novo presidente do Conselho de Administração da Usiminas, Wilson Brumer diz "não ver o menor sentido" na retirada da companhia do controle das decisões da MRS Logística. De acordo com informações veiculadas hoje na imprensa, o assunto estaria sendo discutido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que antevê uma influência maior da Vale do Rio Doce na MRS, após a reestruturação acionária da Usiminas, concluída em 2006.

Após as mudanças, a Vale e a Nippon Steel passaram a participar do bloco de controle da siderúrgica e a preocupação é de que esta alteração permita à Vale exercer um poder maior na empresa de logística, em detrimento dos demais sócios, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que hoje detém uma fatia de 32,9%, e a Gerdau, com 1,3%. A composição acionária da MRS inclui ainda Vale (com 10,4%), Usiminas (10,6%), Ultrafértil (1,8%) e MBR (32,2%), esta última também controlada pela Vale.

Conforme Brumer, a participação da Vale no bloco de controle da Usiminas chega em torno de 6% do capital votante. "Certamente a Usiminas não está na MRS atendendo orientações da Vale. A Usiminas já deu grande demonstração de querer utilizar a sua participação na ferrovia, ao fazer a aquisição de uma atividade mineral, a J.Mendes e a MRS têm uma importância estratégica indiscutível", afirmou o executivo. Segundo ele, as áreas jurídicas da siderúrgica irão discutir o assunto no momento adequado.

Autor(es): Agência Estado

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