O grupo gaúcho vai investir R$ 83 milhões em modernização e aumento de capacidade. O presidente do grupo gaúcho Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, anunciou ontem investimentos de R$ 83 milhões, aplicados em modernização e aumento da capacidade de produção da unidade de Maracanaú, município da região metropolitana de Fortaleza. A unidade Gerdau Cearense vai ampliar a produção anual de 100 mil toneladas de aço para 150 mil toneladas, ao longo de cinco anos, informou o empresário. A produtividade na área industrial também deverá evoluir 43%, com melhoria da qualidade dos produtos, adiantou o presidente da empresa após a assinatura do acordo com o governador do Ceará, Lúcio Alcântara.

A nova expansão, projeto que iniciou no ano passado, representa um acréscimo de 77% sobre as 85 mil toneladas/ano fabricadas em 2002 e consolida a proposta de fortalecimento da companhia no mercado. Johannpeter disse que a investida no Ceará, inicialmente com foco regional, ganhou o mercado externo, a partir de negócios em Cabo Verde e na América Central. As exportações representam entre 20% e 30% hoje, mas a tendência é evoluir para 50% nos próximos dois anos.

"A atualização tecnológica da Gerdau Cearense posiciona a unidade em um novo patamar de eficiência competitiva", afirmou Johannpeter ao assinalar que o grupo trabalha com a expectativa de produzir no total cerca 13 milhões de toneladas este ano. "Vamos continuar investindo na busca de maior eficiência e produtividade. O grupo hoje está inserido no cenário mundial e tenta participar do processo de consolidação do setor de siderurgia", disse.

Do total previsto para expansão no parque industrial no Ceará, o forno de reaquecimento a gás natural da laminação fica com R$ 7,5 milhões. O equipamento aquece os tarugos para transformação em produtos finais - vergalhões, barras e cantoneiras. O equipamento automatizado - que tem como diferencial a adaptação da temperatura de aquecimento, que varia de 1.050 a 1.150 graus centígrados, conforme o tipo de aço - vai ampliar a capacidade de produção da unidade, nesta etapa, de 20 toneladas para 40 toneladas por hora.

A unidade cearense da Gerdau, maior produtor de aços longos das América, recicla 100% da sucata ferrosa gerada no estado e utiliza o material de outros estados, desde o Rio Grande do Norte até o Amazonas, e nessa fase ganha novas prensas e tesouras mecânicas, aumentando a capacidade de processamento e de limpeza da matéria-prima. Os planos envolvem a instalação de um novo forno elétrico de 25 toneladas, utilizado para a transformação da sucata ferrosa - principal matéria-prima da unidade - em aço líquido.

O grupo reserva ainda R$ 7 milhões para aplicar na atualização tecnológica dos equipamentos de proteção do ar e da água na usina. O sistema de despoeiramento da aciaria, que filtra partículas sólidas e gases gerados no processo produtivo, ganha reforço com a duplicação da casa de filtros para mil unidades e instalação de uma nova coifa, com capacidade de captação de 800 mil metros cúbicos. Hoje, os recursos hídricos são protegidos pelo sistema de tratamento e recirculação de águas, assegurando que 100% de utilização no processo produtivo retornem à linha industrial.

Para atender o aumento da produção da usina, a empresa calcula investimento de R$ 1 milhão no ajuste do sistema de tratamento e recirculação das águas industriais, cuja vazão e capacidade de troca térmica deverá crescer de 900 para 2,1 mil metros cúbicos por hora.

A investida da companhia no Ceará envolve propostas de responsabilidade social, com três novos projetos de apoio a atividades desenvolvidas pelo governo, caso da construção de 10 quadras esportivas com recursos de R$ 1,5 milhão; do Trailler Padre Cícero, projeto na área de educação ambiental; além do incentivo à estruturação do Programa Cearense de Qualidade e Produtividade. O restaurante Prato Popular, com operação prevista para até dezembro, vai atender 350 pessoas em Maracanaú e oferecer alimentação saudável e balanceada. No projeto, a Gerdau prevê investir R$ 100 mil e estima gastos anuais de R$ 250 mil para manutenção. Em 2003, o grupo aplicou R$ 22 milhões em projetos comunitários em todo o País e a estimativa para 2004 é de cerca de R$ 25 milhões.

O grupo chegou ao Ceará em 1979, com uma filial da Comercial Gerdau e já investiu no estado cerca de R$ 213 milhões. O secretário de Desenvolvimento Econômico (SDE), Francisco Régis Cavalcante Dias, diz que a investida proporciona a abertura de novas vagas e o incremento da exportação do estado. A Gerdau prevê 100 novos postos de trabalho diretos e outros 650 indiretos. O protocolo assinado segue as diretrizes da Política de Desenvolvimento Econômico do Estado, atualizada em 2003 pela SDE, Dias revelou que em um ano e meio foram 105 resoluções de novas empresas e 191 protocolos assinados. "A concessão de incentivos envolve critérios como a responsabilidade social e o respeito ao meio ambiente, além da geração de empregos e o impacto da empresa na economia local", afirmou.

Jorge Johannpeter, que recebeu na quinta-feira, dia 10, a Medalha Mérito Industrial, conferida pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), comanda o grupo considerado o maior produto de aços longos da América Latina e 14 do ranking dos produtores siderúrgicos mundiais. O empresário disse projetar crescimento de 6% na receita do grupo. A produção total de laminados do grupo evoluiu 12% no primeiro trimestre deste ano, totalizando 2,4 milhões de toneladas no trimestre, comparado a igual intervalo de 2003.

Autor(es): Gazeta Mercantil

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