Vendas de eletroeletrônicos registram alta em outubroCrescimento do setor industrial por três meses seguidos. Tendência de redução da taxa de juros. Estabilidade da inflação. Queda da média do Risco Brasil. Menor volatividade da taxa de câmbio. Todos estes dados estão indicando, na avaliação dos economistas, uma retomada do crescimento da economia brasileira. E não é diferente com relação ao segmento eletroeletrônico.

Segundo os últimos dados da Sondagem Setorial da Abinee – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – as vendas do setor no mês de outubro de 2003 foram superiores às registradas em setembro deste ano e em outubro de 2002, apontando um crescimento pelo segundo mês consecutivo e sinalizando uma tendência mais favorável para os negócios futuros.

“Hoje nós temos uma situação mais confortável porque os indicadores apontam crescimentos moderados para o futuro e esses dados podem se firmar, pois este é um ano importante para a indústria, revelando que esses números serão melhores do que as estimativas feitas no início do ano. Por isso, tudo indica que podemos ter um crescimento sustentável para os próximos meses”, afirma Luiz Cezar Elias Rochel, gerente de economia da Abinee.

Rochel acrescenta que, em 2004, as eleições acabam de alguma forma sendo favoráveis à atividade econômica. “Hoje, no Brasil, a economia está mais saudável e, para o próximo ano, este pode ser um dado que irá se juntar ao período eletivo, o que pode propiciar uma perspectiva de economia saudável também para 2004.”

De acordo com a Abinee, as exportações de produtos eletroeletrônicos também têm contribuído para o melhor desempenho dos negócios do setor. Em setembro deste ano, as exportações cresceram 20,4% em relação a setembro do ano anterior e 13,9% em relação a agosto de 2003. Todas as áreas registraram incremento nas vendas externas. No acumulado dos nove primeiros meses de deste ano, o acréscimo foi de 7,7% em relação ao igual período do ano anterior, com destaque para a recuperação do mercado argentino, que aumentou sua participação na pauta de exportações brasileiras do setor de 4%, em janeiro a setembro de 2002, para 9%, no mesmo período de 2003.

Em relação ao comportamento das áreas em outubro de 2003 comparado com setembro de 2003, todas cresceram com exceção de GTD - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica -, que permaneceu estável. Para o segmento da geração de energia elétrica, as encomendas estão paradas há um ano com a indústria operando com a carteira de pedidos realizadas em períodos anteriores a isso. Na distribuição, além da paralisação dos negócios, há problemas com relação à inadimplência de consumidores com as concessionárias, refletindo na sua capacidade de investimento.

No caso de equipamentos industriais, a retomada dos negócios pode ser constatada pelo crescimento das vendas de motores elétricos, que está sinalizando a volta de investimentos em diversos setores. Segundo estatística da Abinee, as vendas dos motores elétricos trifásicos e componentes eletromecânicos cresceram 10,4% em setembro de 2003 na comparação com o mês anterior. Outro fator que leva a área a acreditar no início da retomada dos negócios foi o retorno de projetos da área de automação industrial, que permaneceram engavetados até o mês de agosto deste ano.

Na área de informática, os negócios continuaram sendo beneficiados pelo ganho de competitividade da indústria formal de PC’s em função da edição da Medida Provisória 100 (que isentou a alíquota do IPI dos computadores até R$ 11 mil e reduziu em 50% a obrigatoriedade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento), apresentando novamente, em outubro, incremento nas vendas.

Para o segmento de telecomunicações, as vendas continuaram alavancadas devido às novas tecnologias de telefones celulares, que têm alimentado a concorrência entre as operadoras em busca de novos clientes. Já o segmento de telefonia fixa está mais retraída, com um ritmo mais lento de recuperação.

A perspectiva favorável para as vendas do comércio de bens de consumo no final de ano incrementou os negócios da área de utilidades domésticas e, conseqüentemente, de componentes elétricos e eletrônicos, que também foi beneficiada pela recuperação dos demais setores.

Autor(es): Andréa Malta

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