Indústria da reciclagem espera crescer 30%O mercado de reciclagem tende a crescer aproximadamente 30% no Brasil em 2003, segundo estimativa do Cempre – Compromisso Empresarial para a Reciclagem -, uma associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do lixo. Esse mercado movimentou R$ 4 bilhões só ano passado. Em termos de América Latina, o Brasil é um grande reciclador de papel e papelão, com quase 2 milhões de papelão ondulado reciclado, o que corresponde a 77% do material colocado no mercado. “Na comparação desta categoria, só perdemos para a Finlândia”, afirma Fernando von Zuben, presidente do Cempre.

Com uma coleta adequada, o Cempre informa que quase tudo dá para reciclar. Plásticos em geral, aço, alumínio, vidro, papelão, plástico pet, embalagem longa vida, dentre outros materiais.

Mas, em comparação com outras regiões, o Brasil ainda tem muito o que reciclar. Segundo Zuben, os Estados Unidos estão reciclando cerca de 30% do material disponível no mercado. Já a Europa reciclou, em 2002, 48 milhões de toneladas só de papel e papelão. Mas o Brasil tem algumas vantagens no processo em relação aos países ricos: a coleta de lixo por aqui é barata e possui vários coletores trabalhando nessa função. No Brasil, da coleta à reciclagem, o setor emprega mais de 750 mil pessoas. Só as cooperativas de catadores de rua da cidade de São Paulo absorvem mais de 20 mil.

Projetos - Para incentivar o mercado de reciclagem, o Cempre elaborou um programa junto à Fundação Banco do Brasil e criou um kit para conscientizar as pessoas sobre o assunto. Composto por um manual sobre como o lixo deve ser manipulado, um guia de coleta seletiva, outro sobre as cooperativas de catadores e um vídeo, o kit mostra a problemática do lixo do Brasil, bem como o seu gerenciamento.

“O início desse projeto foi em janeiro deste ano, com o material sendo distribuído para 5.600 prefeituras em todo o Brasil. Além disso, desenvolvemos em conjunto com a Fundação Banco do Brasil um kit voltado para as cooperativas de catadores de lixo. O objetivo é informá-los sobre como separar o material a ser reciclado e sobre os estatutos do setor, além de instruí-los sobre como formalizar uma cooperativa”, explica o presidente do Cempre. Ele acrescenta que os Estados brasileiros mais avançados em relação à coleta seletiva de lixo são os da Região Sul, seguidos pelos Estados da Região Sudeste.

Para que a reciclagem seja realmente feita de forma efetiva no Brasil, Zuben esclarece que falta basicamente educar a população sobre o tema, alertando sobre como separar o lixo úmido, que é destinado para aterros, do lixo reciclável. “E o poder público precisa realizar campanhas para educar a população. Atualmente, 69% do lixo gerado pelo Brasil é depositado em lixões a céu aberto, contaminando o lençol freático, os rios e a atmosfera. Isso precisa ser modificado e cabe também à população cobrar isso de seus governantes. O lixo pertence à prefeitura de cada cidade, que cobra impostos sobre ele. Na cidade de São Paulo, por exemplo, com a cobrança da taxa do lixo estipulada pela prefeitura, houve uma redução na quantidade de lixo produzida. Antes da taxa, eram contabilizadas 12.600 toneladas de lixo por dia. Hoje, são 10.300 toneladas de lixo geradas diariamente. Portanto, podemos considerar que esse novo imposto teve um efeito positivo”, diz Zuben.

Recicleshow 2003 - Para debater todas essas questões, o Cempre e a Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – promovem o Recicleshow 2003 – 4º Seminário e Exposição sobre os Desafios Técnicos e Econômicos para a Reciclagem. O evento vai apresentar produtos reciclados e reutilizados, máquinas e equipamentos, incluindo painéis sobre o gerenciamento adequado de resíduos sólidos, a coleta regular e seletiva, reciclagem e disposição final.

“O objetivo do evento é estimular a adoção de políticas de compras de produtos elaborados a partir de materiais reciclados, criar incentivos para a implantação de coleta seletiva em mais municípios brasileiros e fomentar o desenvolvimento de pesquisa, novas tecnologias e processos de reciclagem adequados à realidade brasileira, minimizando entraves econômicos”, conta o presidente do Cempre.

“O Recicleshow vem se consolidando como um estímulo à reciclagem no Brasil, atuando como uma oportunidade de analisar os rumos desse mercado, divulgar tecnologias e propor incentivos econômicos para as empresas do setor”, declara Luiz Carlos Delben Leite, presidente da Abimaq. O evento acontece entre os dias 25 e 28 de novembro, das 8h30 às 18h, na Fundação Bienal de São Paulo (Parque do Ibirapuera, portão 3, pavimento 2 – São Paulo/SP).

Autor(es): Andréa Malta

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