A produção de minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) - Sistema Sul, Carajás e Caemi - atingiu um volume recorde no segundo trimestre deste ano, de 51,5 milhões de toneladas. Foi 9,3% superior ao do mesmo período de 2003 e 10,7% maior que o do primeiro trimestre de 2004, em função do crescimento da demanda global por minério e metais, de acordo com o conceito US GAAP, que são os princípios contábeis dos EUA.

A produção acumulada da Vale no primeiro semestre do ano foi de 98 milhões de toneladas, 7,5 milhões toneladas a mais do que os 90,5 milhões de toneladas produzidas nos seis primeiros meses de 2003. O resultado foi obtido mesmo com o fechamento da mina de Capanema, no Sistema Sul, que produziu 3,1 milhões de toneladas entre janeiro e junho de 2003.

Apesar de positivos, esses números não devem se refletir, integralmente, na receita da Vale. A analista do Banif Investment Bank, Catarina Pedrosa, disse que a empresa teve problemas de embarque por causa do congestionamento dos portos. O excesso de embarcações entrando e saindo do Brasil por conta do aumento das exportações atrasou as vendas externas da Vale.

Além disso, a produção de ferro ligas caiu no segundo trimestre, em relação aos primeiros três meses, devido a uma parada de manutenção no forno da Rio Doce Manganese Europe (RDME), na França, por 45 dias. Com isso, a Vale deixou de produzir 32 mil toneladas. A produção de alumina também recuou, no caso 5,2%, ante o volume obtido no primeiro trimestre do ano.

A analista observou, no entanto, que isso ocorreu em função de uma atividade acima do normal no início do ano, não por conta de problemas no segundo trimestre. A Vale produziu 615 mil toneladas de alumina entre abril e junho, um volume compatível, segundo Catarina, com a atual capacidade da refinaria, de 2,4 milhões de toneladas, na Alunorte.

Em 2006, a empresa ampliará sua capacidade de produção para 4,2 milhões de toneladas de alumina. A fase dois da expansão da Alunorte prevê uma ampliação da capacidade de 2,4 milhões de toneladas para 4,2 milhões de toneladas de alumina/ano, com investimentos de US$ 583 milhões. Em uma terceira etapa, a refinaria poderá atingir 6 milhões de toneladas.

A mina de cobre de Sossego, inaugurada no segundo trimestre, produziu 69,1 mil toneladas de cobre seco, equivalente a 20,3 mil toneladas. Conforme a Global Invest, a tendência é de alta da cotação do cobre, a médio prazo, apesar da atual volatilidade. A demanda internacional, segundo a consultoria, permanece alta e a oferta restrita.

Quanto ao minério de ferro, a produção nos dois sistemas, o de Carajás e o Sul, bateu recordes trimestrais entre abril e junho passados. No Sistema Sul da Vale, o volume foi de 24,693 milhões de toneladas, superando em 9,4% o anterior, de 24,225 milhões de toneladas, e em 6,1% a produção do primeiro trimestre de 2003. Anualizado, foram 98,7 milhões de toneladas no total em 2004.

Em Carajás, a Vale obteve 16,25 milhões de toneladas de minério de ferro entre abril e junho de 2004, um crescimento de 12,8% sobre igual trimestre do ano passado e de 12,2% ante os primeiros três meses de 2004. Segundo o comunicado da Vale, "alguns problemas em equipamentos na usina de beneficiamento impediram que se obtivesse melhor desempenho", mas a meta de produção prevista para este ano, de 70 milhões de toneladas, permanece.

A produção da Caemi no segundo trimestre do ano também foi recorde. A empresa atingiu 10,936 milhões de toneladas, superando os 9,449 milhões de toneladas obtidas em igual período de 2003.

Autor(es): Gazeta Mercantil

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