Ao contrário de alguns mercados, o qual, já é realidade a exigência por determinados tipos de certificação como meio para o devido enquadramento nos conceitos da sustentabilidade, o emprego da madeira de reflorestamento no segmento da construção civil, ainda não conta com uma retaguarda de qualificação através de um selo que dê garantias de origem ambientalmente correta.

Segundo Flavio Carlos Geraldo, membro da diretoria da ABPM – Associação Brasileira de Preservadores de Madeira, “na prática os rigores hoje existentes nos textos legais relacionados ao segmento de preservação de madeiras e os procedimentos para obtenção das licenças de operação ou funcionamento de unidades industriais do setor são de uma flexibilidade escandalosa. O simples cadastramento, aliado ao pagamento de taxas simbólicas, credenciam muitas usinas de tratamento de madeiras, muitas vezes desprovidas de instalações adequadas, a operar em condições de igualdade com outras que observam rigorosamente as exigências ambientais e de segurança constantes dos textos legais. O desequilíbrio é flagrante, que acarreta uma situação comprometedora no mercado a partir do momento em que empresas tecnicamente descredenciadas competem, em igualdade de condições com respeito à legalidade, com aquelas que arcaram com o ônus da legalidade para entrar em operação. Todos perdem: o mercado, o ambiente e o consumidor da madeira tratada”.

A associação, fundada em 1969, na então Divisão de Madeira do Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo (IPT), que reúne em seu quadro associativo usinas de preservação de madeiras, indústrias químicas e grandes usuários da madeira tratada, defende a criação de um selo de qualificação que comprovaria o devido credenciamento de empresas do setor no tocante aos aspectos técnicos e legais. De uma forma resumida, para a obtenção do direito de uso do selo de qualificação da ABPM, a empresa submete-se voluntariamente a auditorias que comprovarão a sua regularidade para produzir madeira tratada dentro dos rigores das normas técnicas em vigor, e dentro de todas as exigências de segurança ambiental e operacional.

A importância do uso de madeiras cultivadas pelo setor da construção apoia-se principalmente no fator hoje tão propagado chamado sustentabilidade. “As árvores, únicas fábricas não poluentes do mundo, produzem a madeira, material construtivo obtido a partir de um recurso natural renovável de ciclo curto. Reflorestamentos são considerados verdadeiros poços de carbono, que produzem madeira de qualidade apta tecnologicamente a substituírem as madeiras oriundas das florestas tropicais nativas nas suas diversas aplicações em sistemas construtivos. Como se observa, além de seqüestradoras de carbono em grande escala, as madeiras de reflorestamento, como alternativa, contribuem com a conservação das matas tropicais nativas pela simples redução da demanda. Isto é sustentabilidade!”, destaca Geraldo.

O Brasil ainda não possui uma cultura do uso da madeira na construção, há uma preferência nacional por alvenaria. “Falta entender que a madeira tem caráter renovável em relação ao tijolo, ao aço e ao cimento, cuja fabricação demanda muita energia e matéria-prima, além de exigir mais do transporte por causa do peso. Arquitetos, engenheiros e agrônomos formados em países onde existe cultura madeireira, têm na grade curricular a madeira como material de construção, assim como o concreto, o ferro e qualquer outro tipo de material. Aqui no Brasil raramente disciplinas que contemplam a madeira como material de engenharia faz parte da grade curricular das nossas universidades. Talvez, essa falta de valorização seja explicada pelo comodismo de quem sempre pôde contar com imensa fartura relacionada à enorme disponibilidade de madeira proporcionada pelas matas nativas.”, avalia Geraldo.

A utilização de madeira de eucalipto e pinus na construção civil, também em outros segmentos incluindo o ferroviário, rural e elétrico, exige técnicas para preservar e proteger, garantindo uma durabilidade maior. “Há como combater agentes deterioradores que podem ser de natureza química, física ou biológica. Estas técnicas vão desde adoção de detalhes construtivos e utilização, que impedem a ação destes agentes, até adoção da aplicação de preservativos de madeira por processos não industriais como imersão simples, pincelamento, pulverização, entre outros, ou por meio de processos industriais, realizados por vácuo-pressão em autoclave e usinas de preservação de madeiras. A escolha de produto e do processo depende do tipo de madeira e das utilizações das mesmas. Podemos destacar, por exemplo, que a madeira de eucalipto sem tratamento dura menos de um ano, a tratada no mínimo 15 anos”, explica o diretor da ABPM Geraldo.

Para estimular o uso da madeira de reflorestamento, a Associação Brasileira de Preservadores de Madeira estuda a criação do Selo de Qualificação, contando com o apoio do IPT. “Para a criação deste selo as usinas de preservação de madeira se submeteriam a uma auditoria realizada por técnicos do Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo, considerando as vertentes técnica e legal. Na vertente legal, serão levantados em conta, o atendimento a todos os requisitos documentais, como registros, licenciamentos, responsabilidade técnica, etc. Já, na vertente técnica, serão contemplados os atendimentos a treinamentos específicos, como o de operação de uma UPM, aferições de equipamentos, bombas, registros, assim como também medidas de segurança operacional e ambiental, entre outros. A ABPM tem uma função fortemente orientativa e de interação com os órgãos ambientais relacionados com o segmento, como o Ibama, Secretarias Estaduais de Meio Ambiente e prefeituras, além de deflagrar uma forte campanha de divulgação junto aos mercados consumidores da madeira tratada objetivando divulgar e mostrar as vantagens da utilização da madeira tratada qualificada, traduzida pelo binômio Legalidade (documentação e registro do IBAMA) e Qualidade.”, diz Geraldo.

É importante destacar que a madeira está presente nas construções como em pisos, estruturas, paredes, decks, portas, esquadrias, entre outros. Mas, se repararmos atentamente nos telhados, por exemplo, veremos que a maioria é feito com madeira nativa, ou seja, não tem como origem o reflorestamento, não há como negar que o mercado tem que se educar e substituir de maneira ambientalmente adequada. “Uma certificação viria para agregar e valorizar o produto e também as construções, defendendo principalmente a preservação da madeira nativa.”, finaliza o presidente da ABPM, Sérgio Brazolin.

Para conhecer mais acesse www.abpm.com.br.

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