Um grupo de siderúrgicas está desenvolvendo um aço flexível para automóveis que, em casos de impacto, ameniza a agressão ao pedestre, principalmente em choques contra a cabeça da vítima. O produto deve estar disponível no mercado europeu no próximo ano e logo chegará ao Brasil. O projeto tem a participação de 21 empresas de 12 países. A única representante brasileira é a Usiminas.

O analista de marketing Ed Juarez Mendes Taiss, representante da Usiminas no consórcio que desenvolve novos projetos, explica que o aço terá alta resistência e maior capacidade de absorção. Segundo ele, é comum em atropelamentos o pedestre ser arremessado para cima do capô, ferindo a cabeça. 'Se isso ocorrer com o novo aço, o capô é que vai ser deformado, absorvendo o impacto, e não o contrário.'

O setor siderúrgico espera que essa tecnologia seja mais uma alternativa para brecar a perda de participação na indústria de veículos, maior consumidora de aço. Nos anos 70, essa matéria-prima correspondia a 75% do peso de um automóvel. Hoje, a participação está em 64%.

O aço perde espaço principalmente para plásticos, alumínio e novos insumos como o magnésio. 'Há mercados que perdemos e não vamos recuperar mais', admite Taiss, citando como exemplos os painéis dos carros, agora feitos em plástico. 'Mas há outros que estamos recuperando, como o de tanques de combustível e rodas.'

A participação de materiais plásticos nos veículos passou de 4,6% em 1977 para 7,6%. O alumínio, antes presente em apenas 2,6% do conteúdo dos automóveis, está em 7,8%, segundo dados da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil).

A Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast) calcula que um automóvel tenha hoje o equivalente a 100 quilos de plástico, o dobro do volume de seis anos atrás. 'O plástico é mais leve, mais fácil de moldar e de reciclar e tem custo menor', avalia Otávio Carvalho, da MaxiQuim, empresa de consultoria e assessoria de mercado nas áreas de plástico e petroquímica. O coordenador do Comitê de Mercados da Indústria Automobilística e de Transportes da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Ayrton Filleti, diz que um carro médio no Brasil tem cerca de 45 quilos de alumínio, ante 95 quilos na Europa e 127 quilos nos Estados Unidos. Ele diz que a pressão lá fora é maior para a redução do consumo de combustível e, portanto, do peso do veículo. No Brasil, ressalta Filleti, não há legislação sobre o assunto mas, como as matrizes das montadoras adotam esses programas, alguns projetos acabam sendo adaptados no País.

Com o cerco se apertando, a indústria do aço se viu obrigada a buscar alternativas. Há cerca de dez anos, um grupo de siderúrgicas, entre as quais a Usiminas, criaram o Ulsab, instituto para o desenvolvimento de aços mais leves e mais resistentes. Inicialmente formado por 35 usinas de 18 países e a montadora Porsche, o grupo se comprometeu a multiplicar seus projetos para as demais empresas do setor.

Entre 1994 e 2002, o Ulsab conseguiu reduzir a espessura das chapas usadas principalmente na parte externa do carro. Nesses oito anos, calcula Taiss, os carros ficaram cerca de 15% mais leves por causa da redução do peso do aço usado em portas, capôs, cobertura e peças internas. A Usiminas, sozinha, investiu mais de US$ 40 milhões nos projetos do Ulsab.

Autor(es): Infomet

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