ISA SHOW destaca o mercado de trabalho para engenheirosFaltam engenheiros ou faltam bons engenheiros no Brasil atualmente? Essa foi uma das questões discutidas no painel de abertura da 14ª ISA Show – Congresso Internacional e Exposição de Automação, Sistemas e Instrumentação, com participação do Prof. Dr. Mário Sérgio Salerno, Professor Titular do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP, Coordenador do Laboratório de Gestão da Inovação (LGI) e Coordenador Executivo do Observatório de Inovação e Competitividade (IEA-USP). O evento, que acontece até o dia 11 de novembro, no Expo Center Norte, em São Paulo, contou com a palestra permeada por questões como a carência de formação dos futuros profissionais de engenharia para suprir a demanda existente atualmente no Brasil, que passa por uma fase de grande crescimento econômico. Nesse quesito, a indústria tem contribuído fortemente para deixar o Brasil em posição bastante favorável de destaque no cenário mundial.

De acordo com dados apresentados pelo Prof. Dr. Mário Sérgio Salerno, graduado em graduado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica pela Universidade de São Paulo, mestre em Engenharia de Produção pela UFRJ, especializado em inovação tecnológica e desenvolvimento (IDS, University of Sussex, Inglaterra, 1986), com doutorado em Engenharia de Produção pela POLI-USP e pós-doutorado no LATTS / Ecole Nationale des Ponts et Chaussées, é fato que no Brasil se formam poucos engenheiros, assim como acontece nos Estados Unidos. “O Brasil estuda pouco engenharia. A formação do profissional de engenharia é nosso grande desafio”, conta Salerno.

Segundo Mário Sérgio Salerno, essa realidade tem muitas explicações, como o alto valor das mensalidades dos cursos de engenharia de Universidades Particulares, falta de interesse pela área, dificuldades em matérias de exatas, carga horária intensa, entre outros motivos. Com base em estudos realizados pelo último censo escolar de 2008, apenas 5,6% de engenheiros formados egressaram das faculdades brasileiras, contra 6,1% nos Estados Unidos, 9% na Turquia, 14,5% na Espanha, 17,1%na Suécia, 25% na Coréia do Sul e 35.6% na China. Segundo Mário Sérgio, a China, além de suprir a demanda interna de modo invejável com a formação de 400 mil profissionais de engenharia por ano, também se preocupa em compor profissionais com capacidade e qualidade. “Na China, os pais se empenham em poupar dinheiro desde a infância de seus filhos, vislumbrando que, no futuro, eles possam estudar em boas escolas e ter uma formação digna”, comenta Salerno.

O Prof. Dr. Salerno também apontou que há muitas faculdades brasileiras de engenharia, em especial as particulares, que precisam de uma grande renovação, principalmente em termos de infraestrutura. “Conheço muitas faculdades boas e ruins. Não conheço nenhuma universidade pública ruim, mas sei de várias particulares que deixam a desejar”, cita Salerno. Ele explica que uma das principais dificuldades das universidades é mesmo em relação à infraestrutura, com criação de laboratórios próprios e com tecnologia de ponta. “Para ser um bom engenheiro, o aluno precisa saber matemática para ter amplos conhecimentos em cálculos e física, para ter noção de aspectos abstratos, além de saber mecânica básica. Isso só se consegue com laboratórios adequados”, diz Salerno, que ainda complementa: “Muitas escolas de engenharia usam laboratórios do Senai, ponto para o Senai. Mas cada universidade deve ter seus próprios espaços adequados”, ressalta o engenheiro.

Formação X Salários

Embora haja demanda crescente por profissionais de engenharia formados em diversas áreas, há um grande contraponto, onde a lei de oferta e procura não se aplica, define Salerno. Embora os engenheiros sejam alguns dos profissionais mais requisitados no momento, os salários continuam praticamente no mesmo nível, com reajustes irrisórios, revelando mais um ponto negativo no momento de escolha da futura profissão pelos estudantes. Salerno ressalta ainda que, apesar de o Brasil formar poucos engenheiros, ao fazer uma comparação com outros países, este número não é tão pequeno se for levado em consideração que o Brasil tem um alto índice populacional.

Na visão do pesquisador, os principais desafios na formação de profissionais da área de engenharia no Brasil passam pela necessidade de se pensar uma nova didática para esta geração “internética e plugada”, focando no aproveitamento da educação à distância e das mídias móveis, bem como de uma maior integração com a sociedade. “A integração com as empresas também é muito difícil. Na POLI, por exemplo, na área de estágios planejados, há uma única empresa integrada”. “Diria que o problema em curto prazo não é exatamente de quantidade, mas de qualidade. As empresas pagam mal o engenheiro iniciante e este por sua vez está mais propenso a formar a sua própria empresa”, enfatiza.

Autor(es):
Editora

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