A MRS Logística, maior das concessionárias privatizadas em volume de carga e receita, acaba de finalizar seu plano de longo prazo, até 2009, que traça metas ousadas de crescimento. Com uma malha de 1,7 mil quilômetros de extensão que corta os Estados de Minas, Rio e São Paulo, a empresa enxerga possibilidades de até dobrar sua capacidade em cinco anos.

Os investimentos para alcançar esse objetivo são vultosos, informa o presidente da concessionária, Júlio Fontana Neto. Os valores variam de R$ 2,1 bilhões, dentro de um cenário conservador, a R$ 2,8 bilhões, para uma projeção agressiva de crescimento da demanda de cargas no seu raio de atuação.

Para 2004, a previsão da MRS é fechar o ano com transporte de 98 milhões de toneladas - aumento superior a 10% em relação às 86 milhões do ano passado. 'Imagina que a previsão do BNDES, na época da privatização, em 1996, era que a empresa conseguiria dobrar suas 40 milhões de toneladas 2026, no fim da concessão', observa Fontana. Em 2005, a meta é alcançar 105 milhões de toneladas.

A MRS tem algumas vantagens visíveis comparadas a outras ferrovias: as cargas cativas. Com destaque para minério de ferro e aço. Seus acionistas controladoras - Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), Caemi/MBR, Usiminas, Vale do Rio Doce e Gerdau - são grandes produtores desses bens. Minério de ferro, graças ao incremento da exportação, puxada pela forte demanda mundial, representa cerca de 70% da carga transportada pela ferrovia.

'Traçamos três cenários dentro de nossa estratégia', informa Fontana. O primeiro deles prevê chegar ao patamar de 130 milhões de toneladas por ano de transporte em 2009. Esse cenário não computa planos de expansão de seus principais clientes - CSN, Vale, Açominas - e novas cargas que serão somadas pelo agronegócio.

Mesmo assim, para essa etapa, a MRS terá de investir pelo menos R$ 2,1 bilhões no período. Esse valor inclui a modernização do sistema de sinalização e comunicações da ferrovia, um gasto que a empresa terá de fazer de qualquer jeito para ficar competitiva. São cerca de US$ 70 milhões.

O maior investimento da companhia continua sendo na compra de locomotivas e vagões. A partir de 2006, para garantir o tráfego sem interrupções, a empresa já encomendou estudos para adquirir apenas locomotivas novas, que custam cerca de US$ 2 milhões. Até agora, vem comprando máquinas usadas que são modernizadas e valem pouco mais de US$ 500 mil.

O cenário mais provável de vôo da MRS é o de atingir 170 milhões de toneladas de cargas em cinco anos. A empresa conta com as expansões da mina de ferro da CSN (Casa de Pedra), que planeja passar de 16 milhões para 40 milhões de toneladas ao ano, e mais 1,5 milhão de toneladas de produção de aço na Açominas depois de 2007.

Um investimento importante nessa etapa, também de US$ 70 milhões, permitirá dobrar as cargas para o porto de Santos. Trata-se da construção de uma correia transportadora no trecho da serra. Hoje, os trens descem apenas com minério para a Cosipa - seis milhões de toneladas por ano. 'Poderemos somar outro tanto com contêineres e grãos e carga de retorno de fertilizantes', diz Fontana.

Com endividamento líquido na faixa de R$ 500 milhões e receita e lucro crescentes - a MRS sonha alto. Pretende chegar a 200 milhões de toneladas. 'Nossa meta é ser a maior ferrovia (individual) em capacidade e a melhor opção de transporte para o cliente', diz o executivo, sem modéstia. Ele acredita ser possível. Menciona uma maior movimentação de produtos do agronegócio em Santos e Sepetiba, a segunda fase de expansão da Açominas (3 milhões de toneladas a partir de 2008) e a expansão de aço da CSN em Volta Redonda ou Itaguaí (RJ). Além de maior exportação de gusa e minério de ferro.

Autor(es): Valor

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