Em um discurso na Câmara Americana de Comércio em São Paulo, realizado ontem, 22 de março, o Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Gary Locke, enfatizou que os Estados Unidos e o Brasil podem se ajudar mutuamente a competir na economia global, afirmando que "há oportunidades ainda deixadas de lado".

"É hora de os Estados Unidos levarem o nosso compromisso com o Brasil sobre questões econômicas tão a sério como nós fazemos com nações como a China e a Índia", salientou Locke.

Locke, que está no Brasil como parte da visita do presidente Barack Obama à América Latina, observou que o CEO Fórum Brasil-EUA representa "uma voz importante do setor privado para a discussão sobre o crescimento do comércio e do investimento”.

Na última reunião do fórum, sábado passado, os CEOs caminharam para um acordo de livre comércio entre o Brasil e Estados Unidos e concordaram que ambos os países devem criar incentivos para atrair empresas dos EUA a participar de projetos de infra-estrutura brasileira.

Esses projetos incluem a construção de sistemas de transporte, atualizações para os sistemas de segurança portuários e aeroportuários e a construção de instalações para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, eventos que serão realizados no Brasil.

"As empresas dos EUA têm o conhecimento tecnológico e de engenharia para ajudar os brasileiros nesses esforços, e também podem ser fornecedores confiáveis para as empresas brasileiras", afirmou Locke. O Secretário de Comércio dos EUA, Gary Locke também visitou as instalações de fabricação da Embraer em São Paulo, no último domingo.

Os melhoramentos da infra-estrutura antes da Olimpíada "também vão apresentar as empresas brasileiras e dos EUA, com oportunidades para os desenvolvedores de projetos de abastecimento de evento com produtos ‘verdes’ inteligentes, além de serviços e tecnologias", disse ele.

Obstáculos no comércio internacional

Locke pediu ao governo brasileiro que "prossiga com seus esforços na construção de um clima de negócios com mais transparência e um ambiente mais coerente”. "A complexidade do ambiente de negócios do Brasil ainda cria obstáculos significativos para os exportadores dos EUA e investidores", disse o Secretário de Comércio americano.

Os obstáculos incluem tarifas elevadas, um sistema aduaneiro rígido e "uma carga tributária pesada e imprevisível", afirmou Locke. Salientou também que "o Brasil está em ascensão, e os Estados Unidos reconhecem esse fato". Locke lembrou que o Brasil é a sétima economia no mundo, e que os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro no Brasil.

Locke destacou também a importância da produção de energia limpa como uma oportunidade "que permite tanto o Brasil quanto aos Estados Unidos aproveitarem as suas pesquisas com total força no campo industrial". Ele apontou para o lançamento da parceria Economia Verde Brasil-EUA como um dos vários exemplos de progressos realizados em matéria de cooperação entre os dois países nesse setor.

"Certamente, as empresas e o governo americano têm muito que aprender com o Brasil, que tem a maior parcela de geração de energia renovável de qualquer outro grande país do mundo", finalizou Locke.

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