A Kepler Weber, maior fabricante mundial de equipamentos para armazenagem de grãos e instalações portuárias, inaugura nesta sexta-feira, em Campo Grande (MS), sua segunda unidade industrial no país. A nova planta que começa a operar comercialmente em janeiro irá dobrar a capacidade de processamento total da empresa, para 100 mil toneladas de aço por ano, e terá custos operacionais pelo menos 20% inferiores à fábrica de Panambi (RS), disse ontem o diretor financeiro, Sérgio Sens.

O cálculo não leva em conta a amortização do investimento, que alcança US$ 35 milhões incluindo o capital de giro para o primeiro ano de operação. Mesmo assim, a redução nos custos dá espaço para a Kepler ampliar a produção num momento de baixa na renda dos produtores rurais, além de aliviar a pressão das altas de preços dos insumos como aço, energia e combustíveis. Conforme o diretor presidente da companhia, Othon D´Eça Cals de Abreu, ao longo de 2004 a empresa repassou menos de 50% desses aumentos.

'Com custos mais baixos podemos trabalhar com preços mais competitivos preservando margens', disse o diretor comercial Duílio de la Corte. Os ganhos são possíveis graças à alta tecnologia dos equipamentos, incluindo dois robôs importados do Japão nos sistemas de soldagem, e à menor necessidade de mão-de-obra. Em Campo Grande são 500 funcionários, ante 900 em Panambi. Ambas têm capacidade instalada de 50 mil toneladas/ano.

Segundo De la Corte, a oscilação dos preços agrícolas estimula o produ

tor a investir em armazenagem. Ainda assim, embora a carteira de pedidos esteja dentro da média histórica de 60 a 90 dias de produção nesta época do ano, Abreu admite que os agricultores começam a colocar 'o pé no freio' nas decisões sobre investimentos.

Cerca de 70% das vendas brutas da Kepler, que totalizaram R$ 361,7 milhões em 2003 e devem alcançar pelo menos R$ 420 milhões neste ano, são pagas com recursos próprios dos agricultores, o que torna o cenário mais complicado quando a renda no campo cai.

No primeiro ano de operação a unidade de Campo Grande, que se concentrará na produção de sistemas para armazenagem, deve processar 26,5 mil toneladas de aço. Ao mesmo tempo, a fábrica de Panambi reforçará as linhas de equipamentos portuários, que junto com as torres para redes de transmissão elétrica podem compensar eventuais quedas nas vendas aos produtores rurais, disse Abreu. A Kepler exporta entre 20% e 25% da produção.

Autor(es): Valor

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