A crise nuclear no Japão já forçou algumas empresas de navegação a evitarem os portos principais do país e suas rotas marítimas habituais, o que culmina em prejuízos à cadeia de abastecimento global e prejudica a recuperação do país, dizem analistas.

A gigante alemã de contêineres Hapag-Lloyd suspendeu os serviços nos portos de Yokohama e Tóquio - as duas principais instalações na Baía de Tóquio – em decorrência do medo da radiação que pode contaminar os navios, a tripulação ou até mesmo a carga.

Algumas escalas de linhas de transporte não foram, até o momento, interrompidas na região da Baía de Tóquio, mas foram criadas zonas proibidas ao redor da usina nuclear de Fukushima, atingida pelo terremoto e pelo tsunami em 11 de março.

A radiação a partir da planta é um "perigo claro e presente" para as rotas marítimas e portos na costa nordeste do Japão, disse Rajiv Biswas, economista e chefe da consultoria IHS Global Insight. Os trabalhadores da usina atingida ainda não conseguiram conter os vazamentos de radiação da planta de energia nuclear, gerando a contaminação de produtos agrícolas e de água potável, além de levar os demais países a proibir as importações de alimentos da região.

Os níveis de iodo-131 radioativo no mar ao largo da planta atingiu 4.385 vezes o limite legal na quinta-feira, a sua leitura mais alta até o momento, disseram as autoridades, em meio a uma luta para lidar com grandes quantidades de água radioativa no local. As autoridades no assunto informaram que a dispersão das marés reduz a ameaça imediata para a saúde humana e dos animais marinhos, e que o iodo se degrada de forma relativamente rápida.

Além das questões de saúde, os navios contaminados pela radiação estão tendo suas cargas rejeitadas, levando a grandes perdas econômicas. As autoridades no porto chinês de Xiamen, na semana passada, recusaram o recebimento de carga de um navio mercante japonês por causa das preocupações de radiação. O navio vinha passando pela costa da província de Fukushima, a uma distância de 67 milhas náuticas, disseram fontes da indústria.

A empresa Hapag-Lloyd atualmente está servindo os portos de Kobe e Nagoya e continuará a acompanhar os desenvolvimentos nos portos de Tóquio e Yokohama, disse a porta-voz Eva Gjersvik. Ela acrescentou que era demasiadamente cedo para quantificar os prejuízos.

A companhia de transporte dinamarquesa Maersk disse que continuará mantendo a escala em portos japoneses, desde que isso seja considerado seguro, e os seus escritórios no Japão permanecerão abertos. Contudo, a empresa impôs uma zona de restrição ao redor de Fukushima. "Fizemos preparativos de precaução, incluindo a disponibilidade de pastilhas de iodo caso seja necessário", disse o porta-voz da Maersk, Michael Christian Storgaard.

"Para as embarcações, esse impacto seria menor que o desvio para outros portos e pode realmente economizar tempo de navegação. Entretanto, há uma pergunta sobre a possibilidade de outros portos ou terminais receberem os navios de carga", disse Storgaard. O Japão é um dos maiores produtores de automóveis, maquinaria pesada, autopeças e produtos eletrônicos e componentes.

Mas as importações japonesas de minério de ferro e aço para a reconstrução do país -, bem como importações de petróleo, gás e carvão para eletricidade - também serão afetadas se as linhas de fornecimento de transporte forem interrompidas, prejudicando também a recuperação econômica. "Trazer bens e alimentos para o Japão é mais vital do que nunca, à luz do recente terremoto e do tsunami devastador", disse o porta-voz da Maersk.

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