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O Brasil na Alca: prós e contras

As consequencias do possivel acordo entre Estadus Unidos e Brasil sobre a Alca

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Ignorar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) não é um bom negócio para o Brasil, pois o que está em jogo é garantir ou não o acesso ao maior mercado do mundo. Mas, para que a negociação seja útil para o País, é necessário, de um lado, buscar fortalecer o Mercosul, e, de outro, tentar forçar os Estados Unidos, ainda que de forma indireta, a rever os subsídios agrícolas e reduzir o protecionismo. Estas são as principais condições, segundo Michel Abdo Alabi, presidente da Associação das Empresas Brasileiras para a Integração de Mercados (Adebim), para uma boa negociação para a formação da Alca. Nesta entrevista à revista Manutenção e Suprimentos, Alabi recomenda ainda que o Brasil deve fortalecer sua posição por meio da revitalização do Mercosul e de alianças com países da comunidade andina, além de negociar acordos bilaterais de comércio com outros países ou blocos, tais como União Européia, Índia, China, Rússia, África do Sul e Oriente Médio.

M&S - Qual a importância efetiva da Alca para a melhoria das relações comerciais entre os Estados Unidos e os países da região?

Alabi - Devemos ressaltar, em primeiro lugar, qual a importância para os Estados Unidos e os países latinos. Para os norte-americanos, o objetivo político superará o econômico. Trata-se de buscar uma aliança das Américas para tentar enfrentar a guerra comercial com a Europa e o Japão, enquanto sob a ótica dos países latinos, inclusive o Brasil, o objetivo principal é o acesso ao maior mercado do mundo. Do ponto de vista comercial, o que está em jogo na Alca é a negociação sobre a reciprocidade de acesso a mercado, nos setores agrícola, industrial e de serviços entre os países desenvolvidos, em desenvolvimento e os emergentes. Para obter a reciprocidade de acesso a mercados, será preciso negociar um conjunto de questões, as chamadas medidas facilitadoras de comércio, que interessam muito ao Brasil e aos países do Mercosul.

M&S - Excluindo o Brasil, qual é o peso da economia dos países vizinhos que farão parte da Alca?

Alabi - O Produto Interno Bruto (PIB) dos 34 países, em 2001, atingiu US$ 11,5 trilhões, superior em aproximadamente US$ 2,2 trilhões ao da União Européia (UE), e população de quase 800 milhões (o Brasil tem 170 milhões), o dobro do bloco europeu. A expectativa é a de que a Alca se torne um dos maiores blocos comerciais. A participação dos EUA e do Canadá no PIB do continente é de 85%. Os 15% restantes são divididos entre os demais países, sendo que o Brasil, representa cerca de 4,5% e os países do Mercosul representam aproximadamente 9% do total.

M&S - 0 senhor acredita na possibilidade de os Estados Unidos criarem a Alca sem a participação do Brasil? Se isso acontecer, o que o Brasil teria a perder?

Alabi - Dificilmente ocorrerá a Alca sem o Brasil, pois o poder do mercado interno brasileiro é extraordinário. Ameaças por parte dos americanos, tais como tentativas de desestabilizar o Mercosul e tentar formatar acordos bilaterais com a Argentina, Uruguai e o Paraguai, têm sido constantes, mas se acredita que o Brasil está em uma posição negociadora significativa, pois também pode negociar com a União Européia. 0 Brasil logicamente não tem interesse em abandonar as negociações, mas buscar soluções positivas para tentar barganhar acesso ao mercado americano, principalmente no setor agrícola. Posições ideológicas não têm mais lugar nas negociações da Alca.

M&S - Sem o Mercosul, o senhor acredita que o Brasil ficou enfraquecido para uma negociação com a Alca?

Alabi - Em primeiro lugar, haverá necessidade de tentar fortalecer novamente o Mercosul, do ponto de vista estratégico e da definição dos objetivos de integração continental. Mas acreditamos realmente que o Brasil está enfraquecido para as negociações pelo momento político e econômico tanto do Brasil como da Argentina. Contudo, não devemos esquecer que nos dois últimos anos, antes da implantação efetiva da Alca, o Brasil será co-presidente dos Comitês de Negociação Comercial, juntamente com os Estados Unidos, e isso poderá fortalecer o Brasil nas suas posições.

M&S - Em termos gerais, quais são os requisitos essenciais para que se crie na região uma área que estimule, efetivamente, os negócios dos países latino-americanos em particular?

Alabi - As grandes discussões se centram na eliminação dos subsídios agrícolas norte-americanos e no protecionismo existente. Sem possibilidade de discutir esses temas, a facilitação dos negócios e as possibilidades de se criar comércio continental não chegarão a motivar os negociadores dos 34 países.

M&S - Como o senhor avalia a posição dos Estados Unidos em relação ao comércio mundial?

Alabi - No mundo moderno, a globalização trouxe vantagens e desvantagens aos consumidores globais. Uma das desvantagens reinantes é a proteção à ineficiência da produção setorial. Principalmente, praticada nos países desenvolvidos, na Europa e nos Estados Unidos. Um dos grandes problemas da hegemonia americana é a utilização de regras próprias, desrespeitando os princípios básicos que norteiam o comércio mundial, definidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Constantemente, os países desenvolvidos revogam a denominada "Teoria das Vantagens Comparativas', alegando razões diversas e pouco analisadas pela própria OMC "Adam Smith', um dos idealizadores da economia clássica, ficaria enraivecido com políticas que distorcem a referida teoria. A posição americana no comércio mundial é a defesa de seus interesses comerciais. Por assim dizer, utiliza o protecionismo quando necessário, abranda posições protecionistas quando há interesses estratégicos de política presentes, enfim, não se pode dizer que os EUA são amigos do comércio livre, mas ditam as regras para negociar.

M&S - A Alca é um bom negócio para o Brasil, ou o País corre o risco de homologar sua submissão aos caprichos do Estados Unidos?

Alabi - Não há dúvida que é um bom negócio, desde que se consiga acesso ao mercado, redução dos subsídios agrícolas e a queda do protecionismo. Sabemos que não se pode ganhar em tudo, mas a busca negociadora é a de tentar perder o mínimo possível. 0 Brasil sabe que a Alca pode representar ganhos de exportação, mas também pode agravar os desequilíbrios existentes. Deve-se notar que o que chama mais a atenção é a ausência de debates sobre as profundas desigualdades e diferenças dos níveis de desenvolvimento entre as nações do acordo e a falta de ações que tratem do impacto sobre as regiões, estados ou províncias que vivem em situação de subdesenvolvimento. Ao olharmos os países membros, destacam-se o Brasil, a Argentina, a Venezuela e a Colômbia como potenciais negociadores. Os demais são membros, por assim dizer, coadjuvantes. Buscam a Alca para atrair investimentos e aumentar a exportação de alguns produtos agroindustriais.

M&S - Que setores da economia brasileira poderiam sair fortalecidos com a inserção do País na Alca?

Alabi - Os setores da agroindústria e da agropecuária estão mais bem preparados do que a indústria, mas a dúvida maior é quanto à reciprocidade de acesso a mercados. Devemos destacar os produtos mais discriminados atualmente pelos americanos: suco de laranja, açúcar, carne bovina, suína e de frango, álcool, madeira, café e aço. Do lado da indústria, os setores de alta tecnologia serão extremamente afetados, tais como a química fina, bens de capital, eletrônica, entre outros. Há indicações razoáveis, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria, que os setores de autopeças, medicamentos, bens intermediários, têxteis, couro e calçados serão beneficiados.

M&S - Quais são as condições a serem negociadas para que as relações entre o Brasil e a Alca não representem apenas uma maneira de o País abrir o mercado a produtos importados?

Alabi - As condições são sobejamente conhecidas: acesso a mercados, revisão das leis antidumping americanas, redução do protecionismo e dos subsídios agrícolas. Por outro lado, o Brasil deveria construir parcerias estratégicas, com presença diplomática e comercial mais pró-ativa em sua liderança na América Latina, junto à Comunidade Andina das Nações, aos países centro-americanos e Caribe, pois a abertura do mercado brasileiro para produtos destes blocos poderá representar ganhos adicionais nas negociações com os Estados Unidos, pois os países participantes destes blocos poderão aliar-se ao Brasil.

M&S - Se a opção for não entrar na Alca, o que o Brasil teria que fazer para buscar novos mercados?

Alabi - Não acreditamos que o Brasil não participará da Alca. Mas, paralelamente, o Brasil ou o Mercosul deveriam negociar acordos bilaterais de comércio com outros países ou blocos, tais como a União Européia, a Índia, China, Rússia, África do Sul e Oriente Médio. A estratégia seria no sentido de aumentar os fluxos de exportação com os países participantes e tentar, alternativamente, pressionar os Estados Unidos, com alianças políticas mais fortes para contrabalançar o poderio hegemônico americano.

Revista Manutenção & Suprimentos

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