Até outubro a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) coloca em operação em Marabá (PA) sua unidade de produção de ferro-gusa em sociedade com a Nucor, uma das maiores siderúrgicas dos Estados Unidos. Assim, a venture Ferro-Gusa Carajás (FGC) deve aproveitar o execelente preço que o insumo vem registrando no mercado internacional. Trata-se de um investimento de US$ 80 milhões na gigantesca jazida localizada na província mineral de Carajás. A produção é estimada em 380 mil toneladas anuais.

A mineradora também deverá investir, no Pará, na construção do primeiro mineroduto voltado para o transporte de bauxita em todo o mundo. Serão necessários aportes de US$ 40 milhões só na compra dos tubos. O mineroduto vai transportar a bauxita da reserva que a Vale possui em Paragominas (PA) para a refinaria de alumina da Alunorte, em Barcarena, numa extensão de 247 quilômetros.

As obras da usina da FGC estão a toque de caixa. Já foram concluídos os trabalhos de terraplenagem e de fundação para o silo de carvão. E estão em processo de montagem dois altos-fornos, a fundação para o silo de minério e outros equipamentos. No momento 600 pessoas trabalham no projeto e na sua fase de operação a usina deverá gerar 300 empregos.

Na composição da FGC, a Vale detém 78% do capital, e a Nucor os restantes 22%. Mas no futuro a tendência é que o controle passe para o sócio porque, segundo o diretor de Desenvolvimento de Novos Projetos da Vale, Dalton Nosé, a mineradora não tem como foco atuar diretamente na siderurgia. A estratégia, no caso, é atrair um dos sócios-consumidores de seu ferro para uma linha de produção que vai fornecer o ferro-gusa, a exemplo do que a Vale tem feito em outros empreendimentos. "Estamos trazendo para o Pará um sócio importante, que vai possibilitar uma significativa exportação para a Vale. Nossa estratégia é atrair investimentos para gerar emprego e renda na região", disse ele.

De acordo com o diretor da Vale, há dois anos quando a empresa começou a estudar o projeto, o ferro-gusa estava cotado a US$ 90 a tonelada. Atualmente, beira os US$ 300. Nosé disse que a expectativa é de que o preço se mantenha este ano. Entre janeiro e novembro do ano passado, as guseiras já implantadas em Marabá haviam exportado o equivalente a US$ 199 milhões, um crescimento de 133,55% em relação ao mesmo período de 2003.

Nosé afirmou que a produção do carvão vegetal que abastecerá a unidade da FGC será toda obtida na floresta renovável de eucalipto da Celmar, no Maranhão. São 35 mil hectares de floresta plantada, com 1,3 mil a 1,5 mil árvores por hectare. Não haverá, portanto, pressão sobre a floresta nativa da região.

Já para construir o mineroduto de Paragominas a Barcarena, a Vale está comprando 39,5 mil toneladas de tubos de aço revestido, com 24 polegadas de diâmetro. Os tubos serão comprados no Brasil e na Argentina. A previsão é de que os tubos comecem a ser instalados em junho de 2005. As obras civis para a construção da usina de beneficiamento da bauxita em Paragominas já foram contratadas e os trabalhos de infra-estrutura básica iniciados.

Autor(es): Gazeta Mercantil

facebook      twitter      google+

Empresas
 Veja todas as noticias e artigos relacionados a Empresas