Menos de 10 quilômetros separam os municípios vizinhos Condor e Panambi, na região noroeste do Rio Grande do Sul. Mas no setor metalmecânico a distância inexiste entre 80 empresas que formaram um grupo com ambições bem definidas para 2005: desenvolver uma unidade de beneficiamento de biodiesel e iniciar exportações aos países do Mercosul.

O Arranjo Produtivo Local Pós-Colheita (APL) aproveitou-se no ano passado da maior concentração industrial de equipamentos para secagem, armazenagem e transporte de grãos do país, localizada na região. Foram implementados cinco projetos, as empresas gostaram do resultado, e o grupo de entidades que coordenam o arranjo se reuniu recentemente em Panambi para planejar 14 novas ações.

- Queremos entrar nos mercados argentino, uruguaio e paraguaio - explica Hugo Hartemink, consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que integra o APL com o Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai), as prefeituras e as associações comerciais e industriais dos dois municípios, a Unijuí e o Colégio Evangélico de Panambi.

No ano passado, o APL criou o centro de inovação tecnológica, que possibilita às empresas trocar informações e discutir melhorias coletivamente.

- Agora nós temos acesso aos mesmos programas. Conseguimos desenvolver novos produtos e melhorar aqueles que já oferecíamos - avalia Giliane Brandt, da controladoria da Tromink, de Panambi, empresa especializada em peças de reposição para equipamentos de transporte de grãos.

Exportar para o Mercosul é apenas um dos projetos de grande porte do APL. O intercâmbio tecnológico pode fazer com que 2005 seja o ano de ingresso do grupo no segmento ainda incipiente do biodiesel.

- As pesquisas do APL podem proporcionar o desenvolvimento de uma unidade de beneficiamento do biodiesel, com base nos grãos produzidos na região - afirma Edson Schäfer, diretor da Joscil, empresa de Condor responsável pela produção de equipamentos para toda a cadeia do pós-colheita.

No dia 24, representantes das empresas devem se reunir com o grupo de entidades que integram o APL para definir a implementação dos 14 projetos. Em três anos, o arranjo pretende aumentar em 10% o nível de empregos, em 15% o faturamento e em 9% a participação no mercado.

Panambi e Condor reúnem 80 empresas que empregam aproximadamente 8 mil funcionários e faturam anualmente cerca de R$ 1 bilhão.

Autor(es): Zero Hora

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