O cenário de aumento nas matérias-primas da indústria siderúrgica, como carvão e minério de ferro, leva o grupo Gerdau a prever pressão sobre os preços do aço em 2005. 'Se vier toda essa tormenta que está sendo anunciada (nos preços dos insumos), boa parte disso (do aumento) terá que ser repassada para os preços do aço', previu Osvaldo Schirmer, vice-presidente executivo de finanças e diretor de relações com investidores do grupo.

O executivo avalia que há 'muita conversa' sobre como vão se comportar as principais matérias-primas do aço em 2005, e garantiu: 'A Gerdau não tem previsão de aumento de preço do aço no curto prazo.' No resto do ano, porém, os aumentos dependerão da demanda e do comportamento das matérias-primas. No ano passado, os preços da Gerdau subiram cerca de 47% na América do Norte e de 27% na América do Sul, disse Schirmer.

O vice-presidente-sênior da Gerdau, Frederico Gerdau Johannpeter, disse que o grupo trabalha com uma previsão de crescimento de cerca de 4% para a economia brasileira em 2005, percentual semelhante ao estimado para o PIB da América do Norte.

No Brasil, a Gerdau poderá sofrer o impacto de um grande um aumento no preço do minério caso a Vale do Rio Doce consiga viabilizar o aumento de 90% sobre o insumo proposto às siderúrgicas. Schirmer reconheceu que a Vale é um fornecedor importante da Açominas, empresa controlada pela Gerdau, que consome cerca de 4,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A pressão de custos sobre a Açominas pode ser atenuada, segundo ele, pelo fato de a empresa também comprar minério de cerca de 12 outros produtores independentes.

'Se a Vale vier a definir preços nos patamares anunciados pelos jornais, vai causar impacto para toda a indústria. Se a Vale conseguir impor preço, o setor (do aço) irá acompanhar. Estamos na expectativa', disse Schirmer ao comentar os resultados da Gerdau. Ele lembrou que em 2004 o grupo enfrentou aumento de custos em insumos como carvão, minério e energia elétrica.

No médio prazo, porém, a Gerdau analisa a possibilidade de começar a produzir minério em três jazidas compradas do grupo Votorantim no fim de 2003. A Gerdau comprou da Barra Mansa, siderúrgica controlada pela Votorantim, as minas de Gongo Soco, Várzea do Lopes e Miguel Burnier, com reservas dimensionadas em mais de 400 milhões de toneladas. 'Em 2006, teremos decisão sobre o início da exploração em uma das jazidas', prevê Schirmer.

A mina de Miguel Burnier deverá ser a primeira a começar a ser explorada. O grupo não busca, no entanto, a auto-suficiência em minério porque entende não ser um bom negócio no médio prazo. Em termos estratégicos, o grupo prefere continuar comprando parte do minério de outros fornecedores. Frederico Gerdau prevê que, em 2006, o grupo poderá produzir minério suficiente para atender cerca de 25% de suas necessidades. No médio prazo, esse percentual poderia chegar a 50% ou 60%, diz o executivo da Gerdau. Ele negou que esteja no planos do grupo passar a exportar minério de ferro, estratégia que vem sendo perseguida pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Autor(es): Valor

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