As mudanças climáticas que vêm ocorrendo ao longo de milhares de anos no planeta Terra indicam que há a necessidade de descobertas e investimentos em novas matrizes energéticas, pois, ao contrário do que se pensa sobre aquecimento global, pesquisas apontam que o planeta pode sofrer daqui a 100 ou 200 anos um grande processo de esfriamento, fazendo com que a Terra praticamente volte ao período glacial, a chamada Era do Gelo.

Este foi o tema central da palestra sobre Mudanças Climáticas proferida pelo Prof. Dr. André Luiz Belém, durante a feira Santos Offshore 2011. Ele é gerente de projetos - oceanografia operacional - do projeto Ressurgência na Universidade Federal Fluminense (UFF), na rede temática de Geoquímica da Petrobrás e colaborador no Programa de Pós-Graduação em Geoquímica da UFF. Segundo o Prof. Dr. André Luiz, com base em algumas proxies, tipos de indicadores de mudanças climáticas no mundo, a tendência é que, em algumas centenas de anos, a Terra passe por um processo rígido de resfriamento, o que já tem sido observado em algumas regiões do planeta, como a Antártida.

O pesquisador levantou a questão de que as mudanças climáticas são não apenas um resultado do aquecimento global proveniente das emissões de carbono. “Não são apenas as atividades humanas que colaboram para que haja essas alterações e oscilações no clima, na verdade, o processo já vem ocorrendo há milhares de anos, até porque o planeta Terra não é estático. As placas tectônicas foram deslocadas por uma série de terremotos. Esta atividade interferiu muito na temperatura no planeta. Assim como o ser humano evolui, a Terra também evolui. E essa mudança toda é independente das ações humanas, portanto, não tem freio”, declara o pesquisador. Segundo o pesquisador, processos geoquímicos nas rochas indicam as mudanças climáticas ao longo dos anos.

De acordo com o pesquisador prof. Dr. André Belém, mesmo com todos os indícios de que o planeta possa ser atingido por uma onda de esfriamento total, as atenções e preocupações ainda são com relação ao aquecimento global, mas mais por questões políticas do que ambientais. “Em certos países, como nos Estados Unidos, as emissões de gases de efeito estufa são controladas pelo pagamento de impostos, e isto gera dinheiro para os governos. Mas pouco se fala em esfriamento global, porque se todos tomarem conhecimento do assunto, as empresas pararão de pagar impostos, já que não se sentirão mais responsáveis pelo desastre ambiental”, destaca o prof. Dr. André Luiz.

Para ele, a grande questão agora é descobrir novas matrizes de energia que supram as necessidades energéticas mundiais em caso de esfriamento da Terra, porque as matrizes existentes atualmente não seriam capazes de cumprir esse papel. Para isso, o pesquisador, entre outros profissionais que atuam na rede temática de Geoquímica da Petrobrás com o projeto Ressurgência estudam a formação do petróleo com o objetivo de buscar novas matrizes que possam ser desenvolvidas e utilizadas no próximo milênio. “A ideia é entender a formação e as características do petróleo. Precisamos nos preparar para as mudanças e também necessitaremos de energia”, finalizou o pesquisador.

Como explicar o esfriamento em alguns anos?

Várias comunidades de pingüins têm diminuído muito nos últimos anos na Antártida devido ao aumento das áreas cobertas por gelo, que congelam os ovos postos pelos animais. Atualmente, a temperatura média da Terra é de 150 C, mas há milhares de anos, esta temperatura era mais elevada. Esta oscilação foi tema de estudos do cientista russo Milankovitch.

A teoria de Milankovitch descreve os efeitos coletivos das mudanças de movimentos da Terra sobre o clima. O nome da teoria é uma homenagem ao engenheiro civil e matemático sérvio Milutin Milankovitch. O cientista desenvolveu matematicamente a teoria de que as variações na excentricidade, inclinação axial e precessão da órbita da Terra determinam os padrões climáticos na Terra através de forçantes orbitais.

O eixo da Terra completa um ciclo completo de precessão a cada 23.000 anos aproximadamente. Ao mesmo tempo, a órbita elíptica gira mais lentamente. O efeito combinado das duas precessões leva a um período de 21.000 anos entre as estações e a órbita. Além disso, o ângulo entre o eixo de rotação da Terra e o plano perpendicular de sua órbita (obliqüidade) oscila entre 22,1 e 24,5 graus em um ciclo de 41.000 anos. Hoje a obliqüidade é de 23,44 graus e em sentido decrescente, o que significa que a Terra está se esfriando, e não esquentando, como dizem os especialistas nos últimos anos.

Além disso, o Sol também passa por ciclos, conforme conta o pesquisador da UFF. “O Sol apresenta ciclos em que pode irradiar mais ou menos energia. O ciclo mais recente do Sol foi em 2001, lembrando que o campo magnético solar se inverte a cada ciclo. A próxima inversão será em 2012”, ressalta o Professor Doutor. Segundo ele, 57% das causas do aquecimento global são atribuídas à variação solar e 43% são atribuídas aos gases de efeito estufa, o que comprova que somente as emissões não são capazes de causar uma grande catástrofe ambiental no planeta.

Autor(es):
Editora

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