Apesar da crise, exportações alemãs batem recorde em 2011Em 2011, as exportações da Alemanha mais de um trilhão de euros em bens foram vendidos. É um registro com valor simbólico: pela primeira vez na história, as exportações quebraram a barreira do trilhão.

Mesmo no excelente ano de 2008, as exportações não atingiram picos como o deste ano, com 1.07 trilhões de euros (1.4 trilhões de dólares). Em troca, 920 bilhões de euros em bens foram importados para a maior economia da Europa. Trata-se de um excedente de exportação de cerca de 156 bilhões de euros. Países estrangeiros criticam regularmente esse excedente.

Muitos dizem que a Alemanha ganhou a vantagem às custas de seus vizinhos europeus. Anton Börner, presidente da BGA, a Federação Alemã de Comércio, acredita que as acusações são “ridículas”.

"Esses excedentes nunca foram e não são um objetivo da política alemã", disse Börner para a rede alemã Deutsche Welle. Ele acrescentou que “é importante que os parceiros europeus entendam que essa não é a forma ‘alemã’ de fazer as coisas. Leis de mercado se aplicam em todos os países e não foram feitos pela Alemanha”.

Börner prevê que, no próximo ano, haverá um excedente semelhante na balança comercial na Alemanha. Apesar do enfraquecimento da economia global, ele espera que as exportações aumentem em 6% para 1,14 bilhões de euros. As importações, por sua vez, devem crescer 7% para 983 bilhões de euros.

O presidente da BGA diz que a atmosfera em pequenas e médias empresas na Alemanha está cautelosamente otimista e que se aplica, particularmente, ao mercado de bens de capital.

"Nós estimamos que os mercados emergentes serão pouco afetados pela crise da dívida e que continuarão a investir em tecnologia e inovação", disse. Ele acrescenta que as principais tendências mundiais permaneceram intactas: os países em desenvolvimento encontram-se em uma corrida com sua explosão populacional.

Apesar da crise, exportações alemãs batem recorde em 2011Os mercados emergentes estão fazendo investimentos maciços indispensáveis em todos os setores, desde as tecnologias de energia eficiente para construção civil e infra-estrutura de telecomunicações. E que afeta não apenas os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), mas também o que são conhecidos como mercados de segundo crescimento, como a Indonésia, Bangladesh, Arábia Saudita e Kuwait, assim como os estados no oeste da África que são ricos em recursos naturais, além de Peru e Equador na América do Sul.

Parceiros comerciais vitais

São os países da União Europeia que permanecem como parceiros comerciais mais importantes para empresas alemãs. Cerca de 60% das exportações alemãs são para países europeus vizinhos.

Portanto, não é nenhuma surpresa que a atual crise da dívida da zona do euro seja de grande preocupação para a Federação Alemã de Comércio. Se as finanças dos Estados europeus saírem do controle, então a maioria das previsões da economia para o próximo ano se tornaria inútil, adverte Börner.

"No entanto, o fato de que boa parte do lucro venha do euro não significa que devemos nos envolver em qualquer negociação política simplesmente para salvar a moeda única", disse ele.

A Alemanha não deve ceder à pressão crescente para consolidar a responsabilidade pelas dívidas, acredita ele. Em vez disso, a consolidação orçamental é a ordem do dia.
"O que precisamos, e aqui eu apoio fortemente a política da chanceler (Angela Merkel), são claras mensagens políticas", disse Börner. Isso se aplica à posição alemã sobre a Itália, bem como a França e a Comissão Europeia.

"Especialmente em relação à Itália, eu digo isso alto e claro: permaneça firme, Frau Merkel. A Itália prometeu e agora tem que entregar", disse ele.
Isso é o que Börner já recomendou para a Grécia e Portugal. A inadimplência parcial por si só não resolveria o problema de competitividade para qualquer um destes países, diz ele.

"Se a Grécia tivesse que sair da zona do euro de forma voluntária, e sua moeda se desvalorizasse em 40 a 50%, cairia para níveis de preço da Turquia de um dia para o outro." Portanto, de acordo com Börner, o país se torna competitivo em muitos setores de sua economia e pode recomeçar do zero e gerar renda. Isso, diz ele, é como a Grécia pode escapar da armadilha da dívida atual.

O presidente acredita que o BGA crê que a chave para superar a crise da dívida europeia continua a ser a parceria entre a Alemanha e a França. Ambos os países, argumenta ele, devem se reunir em todas as circunstâncias e trabalhar em paralelo.

Se a França saísse da linha da zona do euro com a Alemanha, os alemães teriam que pagar um alto preço econômico e acima de tudo, um alto preço político. Alemanha ficaria isolada na Europa nos próximos 10 a 15 anos. O país iria arrepender-se amargamente em tal situação, porque custaria muito mais dinheiro do que exigido pela estabilização atual da zona euro.

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