Pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revela que 17% das empresas querem contratar este ano, 68% vão continuar com os quadros atuais e 15% planejam demitir. Se confirmadas as intenções, será a primeira vez desde 2000 que o nível de emprego na indústria paulista fechará com crescimento ante o ano anterior.

A enquete foi feita em novembro e dezembro com representantes de 69 dos 129 sindicatos empresariais filiados à Fiesp. Para o diretor do Departamento de Economia da entidade, Claudio Vaz, o nível de emprego industrial deve crescer este ano cerca de 2%, numa hipótese mais conservadora. "Se confirmada a taxa, a indústria deve recuperar entre 30 mil e 40 mil postos de trabalho."

Pode parecer pouco, mas indica o início de um processo lento de recuperação de parte dos postos perdidos nos últimos anos. Desde 1995, segundo a Fiesp, as empresas fecharam mais de 670 mil postos de trabalho só no Estado de São Paulo.

A sondagem mostra que 75% dos empresários confiam na recuperação dos negócios e 60% deles planejam aumentar os investimentos previstos para este ano. Esse processo deve ocorrer principalmente no segundo e terceiro trimestres.

Indagados sobre onde pretendem concentrar os investimentos, eles responderam: desenvolvimento de novos produtos (44%), compra de máquinas e equipamentos (38%), treinamento de pessoal (36%), reforma e ampliação de fábricas (29%), aumento de produção (17%), informática (12%), ampliação do quadro de pessoal e publicidade (11%).

Outro indicador com resultados semelhantes aos da pesquisa da Fiesp, a Sondagem Conjuntural da Fundação Getúlio Vargas (FGV) confirma a tendência.

A pesquisa, que consultou 1.146 indústrias entre os dias 22 de dezembro e 26 de janeiro, mostra que 23% das empresas planejam contratar neste trimestre, 61% querem manter os quadros e 16% optaram por reduções. A diferença entre o índice de indústrias que querem contratar e demitir, de sete pontos, é o maior para um mês de janeiro desde 1985.

"A perspectiva do emprego é muito favorável", diz o coordenador da FGV, Aloisio Campelo Jr. Ele destaca que a intenção de contratar é positiva porque o primeiro trimestre sempre é fraco. "A recuperação começa geralmente em abril."

Um dado que já mostra alguma recuperação do nível do emprego é a evolução recente do número de pessoas ocupadas. De agosto a dezembro do ano passado, a taxa média medida pelo IBGE em São Paulo cresceu 4% ante o ano anterior, observa Fábio Silveira, da MS Consulting.

Ainda que a velocidade de criação de vagas seja insuficiente para absorver o grande contingente de desempregados, a tendência é positiva. "O crescimento do emprego na indústria potencializa a criação de postos de trabalho no setor de serviços", diz Silveira.

A intenção das indústrias de contratar este ano começa a sair do papel. A Seara Alimentos planeja abrir 670 vagas em 2004. Deste total, cem postos foram criados no mês passado. "O aumento das contratações ocorre em função da alta das exportações. A gripe do frango pode ampliar o número de vagas", ressalta o diretor de RH, Aroldo Vieira.

Das 670 vagas, 600 são para funções operacionais, como abate e corte de aves e suínos para exportação, 60 para profissionais de nível médio e superior e 10 para executivos. "Só a nova fábrica de processamento de carne suína em Seara (SC) para exportação, que será inaugurada este mês, vai absorver 150 trabalhadores."

A Scania, fabricante de caminhões e ônibus, acaba de contratar 90 estagiários da área operacional e já recrutou mais 80. "Se as exportações e as vendas locais continuarem crescendo, vamos efetivar também esses 80", diz o diretor de RH, Paulo Cezar Cambréa. Levantamento do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC mostra que pelo menos 25 empresas do setor em São Bernardo do Campo (SP) devem contratar mais de 700 trabalhadores neste bimestre. Segundo o diretor-executivo do sindicato, José Paulo da Silva, Mahle Metal Leve, Sachs, Kostal e Proema iniciaram as contratações.

A Setal Construções, que projeta e ergue fábricas para a indústria de base, é outra que está otimista: quer crescer 40% este ano e planeja contratar 2 mil pessoas em obras no Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. "O pico das contratações deve ocorrer no fim do ano", diz o diretor de Marketing, Egberto Freire.

Autor(es): Estadão

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