A Mangels decidiu aumentar em mais de 100% o volume de investimentos que havia sido programado há três meses para ser aplicado até 2007. A empresa elevou de R$ 70 milhões para R$ 147 milhões o total de recursos que serão destinados à ampliação da capacidade de produção de rodas de alumínio, aços para o setor automotivo e botijões de gás.

O bom desempenho da empresa em 2004 e o aumento da demanda interna levaram a direção da companhia a se preparar para aumentar a produção. O resultado financeiro de 2004 foi o melhor da história da Mangels, uma empresa brasileira controlada por grupo familiar.

A receita líquida cresceu 28,0%, para R$ 505,9 milhões em 2004. O lucro operacional antes do resultado financeiro atingiu R$ 59,2 milhões, com crescimento de 114% em relação ao exercício anterior. O lucro líquido passou de R$ 7,9 milhões em 2003 para R$ 19,1 milhões no ano passado, quando a empresa realizou o maior pagamento de dividendos da sua história - total de R$ 4,8 milhões.

Os sinais da demanda continuam firmes, segundo o diretor de relações com investidores, Adelmo Felizati. De acordo com o executivo, os pedidos vêm, sobretudo, das empresas exportadoras do setor automotivo. Aços e rodas usados nos veículos exportados pelas fabricantes brasileiras.

É por isso, diz ele, que a empresa vai continuar dando preferência ao atendimento do mercado interno. As exportações absorveram 15% da receita de 2004 e o percentual deverá se repetir em 2005, quando a direção da Mangels se prepara para mais um crescimento em torno de 25%, índice de avanço que se repetiu nos dois últimos exercícios.

A maior parte dos investimentos vai para a fábrica de aços especiais. Para essa unidade, instalada em São Bernardo do Campo (SP), serão destinados R$ 62 milhões, o que elevará a capacidade da linha em 25% até 2007.

Para a unidade de rodas, instalada em Três Corações (MG), serão destinados R$ 50 milhões. Com isso, a produção anual deverá passar de 1,2 milhão para 1,8 milhão de rodas a partir de 2007, segundo Felizati.

A linha dos botijões a gás, também em Três Corações, receberá investimento de R$ 20 milhões. Além disso, a empresa reserva outros R$ 15 milhões para construir uma nova fábrica de aços galvanizados em São Paulo. Esse projeto também ganhou reforço de recursos. Até o fim do ano passado, estava prevista a aplicação de R$ 10 milhões nessa expansão da fábrica paulista, com inauguração prevista para 2007.

'O mercado do setor automotivo começou a ser puxado pelas empresas exportadoras no segundo semestre de 2004 e essa tendência continua agora', afirma Felizati. Segundo o executivo, a Mangels trabalha com expectativa de crescimento de 3,5% a 4% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2005.

Depois de amargar prejuízo em 2002, a Mangels começou a desfrutar de um programa de reestruturação, que reverteu os resultados da empresa.

Essa reestruturação foi lançada pela segunda geração de uma família de imigrantes alemães que fundou a empresa, em 1928, com a produção de baldes galvanizados.

Quando assumiu o comando da Mangels, durante a abertura econômica, no governo Collor, Robert Mangels, filho e sobrinho dos fundadores, Max e Heinrich Mangels , lançou o projeto de reestruturação para enfrentar a concorrência das multinacionais. O programa reduziu os níveis hierárquicos e fechou 18 empresas incompatíveis com o foco de atividade da companhia. Hoje, a família Mangels detém todas as ações ordinárias e o BNDES é o segundo maior acionista, com 25% das preferenciais.

As ações preferenciais da Mangels encerraram o exercício de 2004 cotadas na Bovespa a R$ 10,28 por ação , registrando valorização de 132% em relação a cotação de R$ 4,42 por ação em dezembro de 2003'.

Autor(es): Valor

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