O presidente da siderúrgica européia Arcelor, Guy Dollé, afirmou durante recente visita ao Brasil que mantém o interesse em ser sócio da chinesa Baosteel e da Vale do Rio Doce no futuro pólo siderúrgico de São Luis, no Maranhão. Mas reconhece que existem muitas complicações para serem resolvidas antes de se chegar a definição final para sua instalação na ilha que abriga a capital maranhense.

Dollé admitiu ao Valor que, mesmo que a Baosteel venha a desistir de tocar o projeto - a companhia chinesa já declarou adiamento de um ano para sua decisão -, a Arcelor poderá fazê-lo sozinha ou com a Vale, mas sob outras condições. Seja no Maranhão ou em outro lugar, como o Espírito Santo.

O executivo francês que comanda o grupo que mais aço produziu no mundo em 2004 - 47 milhões de toneladas de metal bruto - declarou que o investimento seria tocado pela sua controlada brasileira Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST).

Não agrada muito ao alto comando da Arcelor, como confessou Dollé, a idéia de produzir aço em um condomínio de usinas - uma ao lado da outra, como prevê o pólo maranhense, cada uma com um ou dois investidores junto com a Vale. "Somos monogâmicos e não bígamos", comentou, em tom de brincadeira, o executivo.

O desenho do pólo de São Luís, prevê três usinas - a segunda teve acordo entre Vale e a coreana Posco firmado no fim de setembro de 2004 - com investimento total da ordem de US$ 11 bilhões até 2012. A idéia, que recebeu as bençãos do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, prevê produção de placas (material semi-acabado para exportação).

A Arcelor já deixou claro que só entra no negócio por meio da CST. Nos bastidores dos estudos de viabilidade, a informação é de que o grupo europeu quer a CST à frente da operação da usina por deter o expertise em fabricação de placas. A CST é líder mundial nesse segmento. Esta é uma reivindicação da qual os franceses não estariam dispostos a abrir mão.

Na verdade, o que a Arcelor planeja é ter mais de uma usina de placas de aço no Brasil, além da CST, para suprir suas empresas na Europa e também exportar o produto para o mercado americano. Por isso, não está disposta a desistir do empreendimento, com ou sem Baosteel. Mesmo reconhecendo que o projeto ficou bem mais caro - quase US$ 1 bilhão a mais que os US$ 1,5 bilhão previstos no estudo de pré-viabilidade. Aos preços da placa hoje, seria viável. "Mas temos de avaliar no longo prazo."

A questão tributária, que segundo a Vale encareceu o projeto em US$ 400 milhões, não foi a única razão do novo valor, de US$ 2,5 bilhões, destacou Dollé. Segundo ele, há outras pendências, como a má qualidade do terreno, bastante arenoso, e a questão da licença ambiental, que é complexa. Mas, considera que o projeto ainda está de pé, "apesar dessas más notícias".

Autor(es): Valor Econômico

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