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União Europeia lança estratégia para garantir matérias-primas

Dependência da China na compra de minerais e metais preocupa países da Europa, que planejam ação para explorar os recursos naturais disponíveis no próprio continente.

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União Europeia lança estratégia para garantir matérias-primasA oferta mundial de matérias-primas está sob crescente pressão, já que as atuais indústrias de alta tecnologia exigem quantidades cada vez maiores de minerais e metais. A União Europeia está tentando cumprir esse desafio.

É o material que os sonhos de alta tecnologia precisam se eles desejam se tornar realidade: matérias-primas raras como ródio, tântalo, cobalto ou coltan são usados em quase todos os produtos de consumo inovadores. Sem esses metais e minerais, não haveria telefones celulares, iPads, telas planas, conversores catalíticos ou carros elétricos.

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Sem eles, o mundo moderno não existiria em seu estado atual. Mas o enorme número de maneiras em que estes produtos podem ser usados anda junto com a enorme dependência que as indústrias europeias têm agora em relação aos fornecedores desses produtos: quase todos precisam ser importados.

O abastecimento mal consegue acompanhar a demanda. A China tem reprimido as exportações para atender à crescente demanda interna - e isso é uma ameaça para a Europa, que depende fortemente da China para seu fornecimento. As empresas em todo o continente se preocupam com a iminente escassez e o aumento de preços.

Parceria inovadora

Durante anos, a UE tem debatido de que forma a Europa pode se garantir na batalha por matérias-primas valiosas. Em fevereiro de 2011, a Comissão Europeia apresentou uma estratégia que muitos especialistas criticaram por não ir longe o suficiente. Um ano depois, a Comissão lança uma "Parceria para a Inovação em Matérias-Primas", com propostas mais concretas. Juntos, os estados membros da UE, empresas privadas e pesquisadores pretendem promover a exploração, extração e processamento de matérias-primas.

Matérias-primas minerais são partes integrantes de produtos tecnológicos, como tablets e celulares

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"Precisamos unir forças para explorar o próprio potencial enorme da Europa de matérias-primas”, disse o vice-presidente Antonio Tajani, da Comissão Europeia. "Vai ser a chave para desenvolver hoje as tecnologias de amanhã. Tal inovação é decisiva para a competitividade da Europa, o crescimento sustentável e novos empregos”.

A Comissão estabeleceu metas firmes para serem alcançadas até 2020 e os primeiros resultados são esperados dentro de 1 a 3 anos. A ideia é incentivar as fontes de matérias-primas européias, de modo a reduzir a dependência de importações. A Comissão Europeia aceita as estimativas otimistas de que a Europa tem recursos minerais inexplorados no valor de cerca de 100 bilhões de euros (US$ 131,2 bilhões), mas eles encontram-se entre 500 a 1.000 metros no subsolo ou no fundo do mar.

Hubertus Bardt, especialista em matérias-primas no Instituto de Pesquisa Econômica de Colô, nia, Alemanha, considera as propostas da comissão um passo importante. "É um pouco tarde, mas se eles conseguirem fazer o que planejaram, a Europa está indo na direção certa". Bardt advertiu, no entanto, que para ser competitiva, a Europa deve extrair seus recursos "a um custo sustentável”.

Reciclagem de lixo eletrônico

A Comissão Europeia está consciente do fator custo e espera que novas tecnologias vão ajudar a extrair os materiais de forma mais eficiente em áreas remotas. A indústria de mineração pode se tornar mais competitiva e sustentável através da utilização do controle remoto e automação. Substitutos para matérias-primas críticas têm de ser desenvolvidos e equipamentos eletrônicos devem ser reciclados de forma ambientalmente mais amigável. A reciclagem é prioridade na agenda: em média, cada cidadão da UE produz 17 quilos de sucata eletrônica por ano. A UE espera que esse número aumente para 24 kg em 2020.

Todos os Estados membros da UE deverão chegar a um acordo para a parceria de inovação, pelo menos em teoria - na prática, sua aplicação concreta pode ser problemática.
"Infelizmente, nem todos os estados trabalham juntos", declarou Reinhard Bütikofer, membro alemão do Partido Verde no Parlamento Europeu.

Mineração pode se tornar uma área mais sustentável e competitiva por meio da automação

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Lixo eletrônico é uma grande fonte de matérias-primas, pois contém muitos metais raros que podem ser reciclados. Mas equipamentos eletrônicos são, muitas vezes, exportados ilegalmente da UE só para ser incinerados em países como a África. Bütikofer pediu aos países da UE que apliquem a legislação existente para evitar essa exportação, como resultado de que,"o solo é envenenado, a saúde das crianças nos países em desenvolvimento é destruído e, além disso, as matérias-primas praticamente desaparecem”.

Uma parceria em inovação, afirma Bütikofer, vai ajudar a tornar a Europa menos aberta à chantagem econômica pela China. Mas ele acrescentou que a UE deverá também desenvolver parcerias com outros países produtores na África ou na América do Sul, porque os recursos europeus não são suficientes.

"A China é muito dominante em algumas matérias-primas raras, mas apenas porque a Europa e os EUA deixam isso acontecer. A China não tem um monopólio", disse o político.

Hubertus Bardt, da IW, está convencido de que a Europa precisa de ajuda internacional para libertar-se da sua dependência das importações chinesas. Ele disse que o maior desafio é manter os mercados abertos e não perturbar o equilíbrio da importação e exportação de matérias-primas.

"Essa é a grande briga com a China, que veda o seu mercado e tenta chamar a produção da Europa e dos EUA para o país", alegou Bardt, ressaltando que o governo de Pequim tem tentado forçar os compradores estrangeiros a processar suas matérias-primas na China.

Bardt acredita que o desenvolvimento no âmbito dos acordos comerciais internacionais pode ajudar a Europa a desenvolver suas próprias fontes de matérias-primas e obter melhores condições de negociação com outros mercados.

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