Os fabricantes de telhas de aço e alumínio traçam estratégias de ação regionalizada para expandir sua participação no mercado. Mesmo com perspectiva de retração no segmento de coberturas, empresas como a Comercial Gerdau e a Companhia Brasileira do Alumínio (CBA) prevêem ganhar espaço sobre outros materiais, como a cerâmica ou o fibrocimento.

Segundo José Carlos Garcia Noronha, gerente de construção civil da CBA, as telhas metálicas detém o domínio no segmento de coberturas institucionais, que consome por volta de 96,5 milhões de metros quadrados por ano. Segundo Noronha, o aço detém 42% desse segmento, ou cerca de 40 milhões de metros quadrados por ano. Em toneladas, a produção de telhas de aço consome mais de 150 mil toneladas do insumo. O alumínio, segundo o gerente, vem ganhando espaço, e responde por 7% do mercado institucional. O fibrocimento ainda é um material forte nesse segmento, e de acordo com Noronha responde atualmente por 32% das vendas.

O mercado de telhas residenciais, segundo Noronha, é maior, e atinge 300 milhões de metros quadrados por ano. Entretanto, ele afirma que a penetração das telhas metálicas nesse segmento, dominado por telhas cerâmicas e de fibrocimento, é mais difícil.

De acordo com o gerente, no ano passado as telhas de alumínio possuíam preços, em média, 60% mais caros que as de aço. Este ano, com a cotação do alumínio estacionada, Noronha diz que essa diferença caiu para 35%, o que tornou o alumínio mais competitivo. “Comercializamos o metro quadrado a cerca de R$ 26, enquanto as telhas de aço ficam em torno dos R$ 18”, diz. Segundo ele, as vantagens do alumínio estão na durabilidade, que pode chegar a ser 3,5 vezes maior que a do aço, e no baixo custo de manutenção.

Noronha é também coordenador da comissão de construção civil da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Ele afirma que entre os produtores de telhas de alumínio, a CBA, com a marca Votoral, detém a liderança, com 65% do segmento, a Alcoa responde por mais 33% e a Novelis pelo restante.

O executivo afirma que a produção dessas telhas consome 13 mil toneladas de alumínio por ano, em 6,8 milhões de metros quadrados. Isso representa um mercado de cerca de R$ 170 milhões.

No caso das telhas de aço, a produção e a distribuição assumem um caráter cada vez mais pulverizado, atendendo regionalmente os mercados consumidores. A estratégia da Comercial Gerdau, hoje o maior distribuidor de aço do país, faz com que a empresa consiga atender a demanda de telhas em todo o país.

“Temos estoques de telhas em todos os nossos 74 pontos de vendas no país”, afirma Heitor Bergamini, diretor-executivo da Comercial Gerdau. A produção, segundo ele, é feita em seis centrais, também espalhadas pelo Brasil, em cidades como Porto Alegre, São Paulo e Manaus.

Bergamini afirma que a telha de aço detém 10% do total do segmento, incluindo as áreas residencial e institucional. Para o executivo, mesmo que o mercado de telhas sofra desaquecimento, as coberturas metálicas irão crescer em participação. Segundo Bergamini, as telhas metálicas oferecem diferenciais como as variedades pré-pintadas, além das “telhas-sanduíche”, com uma camada interna de polipropileno entre duas telhas de aço, que assegura isolamento térmico e acústico.

De acordo com Ricardo Marra, presidente do Grupo Manchester, de Contagem (MG), atualmente todas as cidades com mais de 150 mil habitantes possuem um produtos de telhas no local. Segundo ele, as encomendas são customizadas por cliente, e o transporte de telhas a grandes distâncias tornou-se inviável. Marra diz que a Açomig , que produz as telhas metálicas do Grupo Manchester, já fabricou 400 toneladas de telhas por mês, mas atualmente reduziu para cerca de metade. “Atendemos apenas a região de Contagem”, diz. Segundo o executivo, o maquinário necessário para a produção de telhas é barato, o que viabiliza a instalação do fabricante próximo aos mercados consumidores. “A entrega atualmente é feita just-in-time, na obra”, afirma.

Autor(es): SICETEL

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