Empresas nacionais foram favorecidas pelo excepcional comportamento das exportações. O ano de 2004 foi mais um ano de destaque para a siderurgia brasileira, que garantiu maior rentabilidade do que as concorrentes internacionais. Segundo estudos da Serasa, o lucro das siderúrgicas nacionais atingiu 26,6% das receitas líquidas no ano passado, em relação aos 4,7% dos concorrentes estrangeiros. Desde o ano 2000, as siderúrgicas estrangeiras tiveram uma evolução do faturamento líquido de 47,8%, enquanto as nacionais registraram expansão de 58,2%, revela o estudo.

Para o gerente de crédito da Serasa, Marcio Ferreira Torres, o aumento das exportações foi o grande vetor dessa performance positiva. "O Brasil foi favorecido por uma conjunção de fatores, como os altos preços das commodities e a economia internacional aquecida, enquanto no mercado interno havia capacidade ociosa", disse Torres. O percentual das exportações no faturamento das empresas nacionais foi de 30% em 2004, segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS).

De acordo com Torres, a alta rentabilidade da siderurgia nacional decorre também da sua eficiência operacional. Após as privatizações, motivadas pela abertura do mercado internacional e com a necessidade de se tornarem mais competitivas, as empresas investiram em reformas de alto-fornos, em geração própria de energia e em programas de redução de custos. Enquanto isso, muitas usinas européias e americanas tornaram-se obsoletas.

"E o país seria ainda mais competitivo se não fosse o Custo Brasil, a alta carga tributária", disse Torres. Além disso, as siderúrgicas se fortaleceram financeiramente.

Enquanto em 1998 as empresas levariam 5,8 anos para pagar suas dívidas, em 2004 seriam necessários apenas 2,5 anos. A rentabilidade e o retorno sobre o capital próprio das siderúrgicas brasileiras cresceram de 4,3% e 5,1%, em 2002, para 26,6% e 36% em 2004, refletindo na remuneração aos acionistas e na distribuição de dividendos, que foi de 13,3% das receitas líquidas no ano passado, percentual somente similar ao de 2000. De 1997 a 2004, a evolução do faturamento das siderúrgicas brasileiras atingiu 84%, ante 42,8% da indústria nacional como um todo.

As oito maiores siderúrgicas mundiais faturaram US$ 206,7 bilhões no ano passado. Já as oito maiores brasileiras tiveram um faturamento de US$ 16,3 bilhões. A maior siderúrgica brasileira em receita, o grupo Gerdau, ficou atrás da décima colocada mundial.

A Gerdau obteve um faturamento de US$ 8 bilhões (R$ 23,4 bilhões) em 2004, enquanto que a empresa alemã ThyssenKrupp, primeira colocada, faturou US$ 48,5 bilhões. Em seguida vieram o grupo europeu Arcelor (US$ 41,1 bilhões), as japonesas Nippon Steel (US$ 27,7 bilhões) e JFE Steel (US$ 23,4 bilhões) e a holandesa Mittal (US$ 22 milhões).

A participação da produção nacional na produção mundial é ainda pequena. Nesse quesito, a brasileira Gerdau aparece na nona colocação, com uma capacidade instalada de 16,4 milhões de toneladas por ano (7,6 milhões de toneladas no Brasil). A européia Arcelor lidera nesse quesito, com uma capacidade para 42,8 milhões de toneladas anuais, seguida pela LNM Group (35,3 milhões), Nippon Steel (31,3 milhões), JFE (30,2 milhões ) e Posco (28,9 milhões).

Autor(es): Gazeta Mercantil

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