Diante do aumento dos pedidos, a fábrica brasileira da SKF, produtora de rolamentos industriais e automotivos com sede na Suécia, vem trabalhando, há seis meses, com 30% acima da capacidade. Para acomodar a diferença, a empresa terceirizou gargalos, como a tornearia, e começou a importar itens, como anéis, da Ucrânia, Itália e Holanda. O acabamento é feito em Cajamar (SP).

Ao terceirizar etapas da produção e importar itens, a empresa teve de aprimorar a logística. Um processo de tornearia pode ser feito por empresa instalada no Sul do país e o tratamento térmico é concluído, depois, em Cajamar. Peças trazidas de outros países também recebem acabamento na fábrica paulista.

Essa empresa está longe de detectar sinais de crise entre os clientes. São empresas dos setores de papel e celulose, mineração, siderurgia, ferrovias e agrícola. Companhias como VCP, Votorantim , Melhoramentos, Petrobras, Braskem, All e Ferronorte, entre outras gigantes, reforçaram encomendas, seja para exportar ou vender no mercado local. A direção da SKF também começa a perceber demanda mais acelerada no setor de máquinas de cimento, o que indica retomada no setor de construção civil.

'Esse pessoal demonstra um ânimo bem melhor do que no início do ano', afirma o presidente da SKF do Brasil, Donizete Santos. 'Não sabemos dizer quanto da demanda por equipamentos vem da necessidade de transporte de commodities, mas podemos concluir que mais da metade do crescimento registrado na SKF vem da produção de itens para exportação', disse Santos.

A produção local da SKF se limita aos rolamentos automotivos. Os equipamentos para a indústria são importados da Europa para posterior acabamento no Brasil. O faturamento anual, próximo de R$ 500 milhões, é praticamente dividido entre os dois setores.

Mas o movimento na empresa demonstra consequente aceleração no ritmo em setores de ponta. A direção prevê elevar o volume de produção dos rolamentos industriais em 15% em 2004.

Com 500 empregados até o fim de 2003, a SKF contratou mais 50 apenas no primeiro trimestre, além de outros cerca de 30 terceirizados. E, segundo Santos, a empresa não abre mais empregos porque aguarda a chegada de novas máquinas. A fábrica opera 24 horas, em dois turnos, e não parou nem na Sexta-feira Santa. 'Também esgotamos as possibilidades de hora extra', destaca.

No setor automotivo, a SKF se surpreendeu com um aumento de 30% nos pedidos no primeiro trimestre. O executivo atribui o crescimento à necessidade das montadoras de repor estoques, que baixaram no final de 2003 por conta, entre outros fatores, da redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos carros. Santos prevê, no entanto, um ritmo mais moderado nos pedidos de fabricantes de veículos nos próximos nove meses.

Autor(es): Infomet

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