As empresas siderúrgicas se lançaram à busca mundial por ativos estratégicos. Respondem à consolidação verificada nos principais setores que demandam o aço e os maiores ofertantes de matéria-prima. O objetivo tem sido tornar este segmento mais concentrado, elevando assim seu poder de negociação.

Como reflexo deste movimento observa-se o setor siderúrgico mais consolidado, com os cinco maiores produtores correspondendo por quase 20% da produção mundial de aço bruto (ante os 11% de quatro anos atrás). É importante ressaltar que este movimento deverá ser intensificado nos próximos anos.

É evidente a relevância do Brasil no processo de consolidação mundial do setor siderúrgico, dado ao baixo custo de produção de aço no País por causa da abundância de matérias-primas e mão-de-obra, além do moderno parque industrial brasileiro. O resultado tem sido a elevada rentabilidade das siderúrgicas brasileiras, com suas margens operacionais superando, com folga, a média internacional.

Recentemente observou-se o incremento paulatino da participação do grupo siderúrgico europeu Arcelor no Brasil (a Arcelor está presente em diferentes regiões do planeta, e é a segunda maior siderúrgica mundial). Após diversos movimentos societários, o grupo anunciou em setembro a reestruturação de parte dos ativos brasileiros em que detinha participação.

A primeira fase desse processo foi a conversão das ações preferenciais da Belgo-Mineira em ordinárias. A segunda fase foi a incorporação da CST e da Vega do Sul (produtores de aços planos) na Belgo-Mineira. A terceira fase, que aconteceu recentemente, foi a alteração da denominação social de Belgo-Mineira para Arcelor Brasil.

A Arcelor Brasil (reunião da Belgo-Mineira, da CST e da Vega do Sul) se caracteriza como um dos maiores grupos siderúrgicos da América Latina, com capacidade de produzir 11 milhões de toneladas de aços (longos e planos) por ano. É muito importante ressaltar, ainda, que a Arcelor Brasil é o veículo de aquisições e crescimento do Grupo Arcelor nas Américas, o que espelha a relevância deste ativo para o Grupo europeu.

A Arcelor Brasil também está inserida no nível 1 de governança corporativa, além de ter sido estipulado o tag along de 100% em caso de mudança de controle acionário. E a Acesita? Recentemente o grupo europeu aumentou sua participação na produtora brasileira de aço inoxidável.

O grupo adquiriu as participações de Previ, Petros e Sistel na companhia, passando a deter 76% das ações ordinárias da Acesita. Essa aquisição demonstra a importância do segmento de aço inox na estratégia do Grupo Arcelor nas Américas. A próxima etapa do processo de consolidação do grupo no Brasil deverá ser a incorporação futura da Acesita na Arcelor Brasil.

É importante destacar a formação da Arcelor Brasil que, como já foi mencionado, será o veículo de crescimento da Arcelor no País. A mudança da denominação social do grupo foi outro passo fundamental, dado que fica evidente a correlação do grupo brasileiro com o europeu (que é uma importante siderúrgica mundial). Como conseqüência, desde então, a visibilidade da Arcelor Brasil tem se expandido internacionalmente.

O processo de reestruturação dos ativos do Grupo Arcelor no Brasil é um dos muitos movimentos que estão ocorrendo no setor siderúrgico mundial, e que deverão ser intensificados nos próximos anos. Ressalta-se a necessidade de consolidação deste setor, concepção esta que está bem entendida e assimilada entre os seus players, que visam seu maior poder de negociação e aumento de sua rentabilidade. (Cristiane Viana - Analista de Mineração e Siderurgia da Ágora Senior CTVM)

Autor(es): Gazeta Mercantil

facebook      twitter      google+

Economia
 Veja todas as noticias e artigos relacionados a Economia