A Albrás, fabricante de alumínio controlada pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), renovou com a Eletronorte contrato de fornecimento de energia por mais 20 anos. A geradora venceu o leilão de energia promovido pela empresa e teve de submeter-se a preço 20% abaixo do que pretendia cobrar pelo megawatt/hora (MW/h). Durante os meses em que se arrastaram as negociação com a Vale, a direção da Albrás tentou emplacar o valor de US$ 22 (R$ 65,34), mas a mineradora não concordou. No leilão, o valor fechado foi de R$ 53 (US$ 17,84).

O acordo pôs fim a impasse que colocava a Eletronorte em situação delicada, já que cerca de 25% de sua capacidade de geração de energia elétrica ia para a Albrás. No mês passado, venceu o contrato que vigorava há 20 anos, com tarifa fixa em torno de US$ 11 e o novo modelo do setor elétrico só permitia renovação até 2010. A Albrás ofereceu em torno de US$ 15, a Eletronorte queria US$ 22. O leilão foi marcado pela Vale a despeito da interferência da Eletrobrás, que buscava um acordo mais rentável para a geradora.

‘‘Foi um bom negócio para as duas empresas’’, avalia André Segadilha, analista do setor elétrico do Banco Brascan. ‘‘A Eletronorte tem um problema sério de localização e não teria para quem vender essa energia. A Albrás também não teria de quem comprar em situação melhor, já que atualmente há falta de energia no Nordeste. O preço foi barato para a Albrás e não foi prejudicial à Eletronorte’’, comentou, referindo-se às dificuldades de a geradora despachar a energia produzida no Pará devido à falta de linhas de transmissão.

No acordo, além de pagar pela energia – 750 MW médios, o correspondente à produção de uma termoelétrica inteira – , a Albrás se propõe a assegurar uma participação a favor da Eletronorte quando o preço do alumínio for superior a US$ 1.450 a tonelada. Também foi proposta uma pré-compra de energia no valor total de R$ 1,2 bilhão.

Autor(es): Jornal do Commercio

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