Companhia tem urgência em encontrar parceiro para construção de nova usina. O presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares, informou que a empresa está à procura de sócios interessados em participar da construção imediata de uma siderúrgica gigantesca, com capacidade para cinco milhões de toneladas de placas e outros semi-acabados. O investimento estimado é de US$ 3 bilhões, os parceiros entrariam com 50% do total, mas com a obrigação de adquirir toda a produção.

O dirigente revelou esse interesse, que classificou de urgente, ontem, logo após a assinatura de contrato com o consórcio liderado pela Construções e Comércio Camargo Corrêa e pela indústria multinacional de turbinas Siemens, no valor de US$ 100 milhões, para a construção de uma nova termoelétrica na unidade de Ipatinga (MG), com capacidade para 60 megawatts.

O empreendimento vai duplicar a capacidade de geração própria da empresa, que alcançará 120 megawatts, número que corresponde a 53% de toda a energia demandada pela siderúrgica. A nova termoelétrica vai utilizar sobras de gases do processo industrial e, com isso, o reaproveitamento global dos gases, que normalmente seriam expelidos, passa de 89% para 99%. Segundo o dirigente, termelétrica semelhante será construída na Cosipa.

O grupo Usiminas é hoje o maior conglomerado de produção de aços do País, com oito milhões de toneladas. A despeito da liderança e de lucros superlativos, o seu presidente mostrou-se preocupado com a consolidação de grandes grupos internacionais - como Arcelor e Mittal e, sobretudo, com o ingresso da China na exportação.

Em decorrência, segundo revelou, é prioridade para a empresa a construção de nova siderúrgica, desde que os sócios tenham alguma atividade ligada ao ramo e possam adquirir a produção, certamente para o beneficiamento em suas instalações. Citou expressamente a Thyssen, que poderia adquirir os semi-acabados para completar o processamento do aço na Europa.

Soares se mostrou otimista com a perspectiva do sucesso do empreendimento e disse que se dedicará especialmente em 2006 a viabilizar o projeto.

Quanto à localização da nova unidade, afirmou que esse é assunto para se tratar com os novos sócios, mas lembrou que o Brasil é um País muito adequado, devido à proximidade da matéria prima, à mão-de-obra qualificada e aos seus custos competitivos.

"Teremos a corrigir pouca coisa, como o custo Brasil" disse, referindo-se, especialmente aos impostos e à precariedade da infra-estrutura de transportes. Ainda em relação ao tema, Soares reafirmou também o seu projeto de constituição de um grande grupo nacional, suficientemente encorpado para enfrentar a competição dos gigantescos conglomerados nacionais. Sugeriu a mediação do governo federal na organização dessas fusões. Por último, não quis se manifestar-se sobre o desejo da Cia. Vale do Rio Doce em participar do controle da Usiminas, alegando que é assunto de deliberação exclusiva dos acionistas.

Autor(es): Gazeta Mercantil

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