A decisão de buscar a independência externa do gás natural já em 2009, com a aceleração da produção na Bacia do Espírito Santo, prevê o afretamento de dois navios-plataforma do tipo FPSO (que produz, processa, armazena e escoa óleo e gás) e a construção de mais um gasoduto ligando Cabiúnas, no Norte Fluminense, à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), disse ontem o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Os investimentos ainda não estão definidos, mas a antecipação é prioridade, colocando-se em segundo plano, por ora, a exploração de gás natural no Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos.

O presidente da Petrobras destacou que essas medidas na aceleração da produção interna vão garantir a auto-suficiência em gás até 2009 e não significa que o Brasil vá romper o contrato do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), que prevê 30 milhões de metros cúbicos/dia. "Temos um conjunto de ações para garantir a independência energética do Brasil em gás natural. Temos a aceleração da produção brasileira, o uso do GNL, principalmente para demanda interruptível, o uso de outros combustíveis, inclusive do álcool em substituição ao gás natural nas usinas termelétricas, que já começa a entrar em fase de testes", declarou.

Gabrielli não quis fazer projeções dos custos desses projetos, mas disse que os dois FPSO serão do mesmo porte do recém-inaugurado navio-plataforma FPSO Capixaba, cujos investimentos chegaram a US$ 300 milhões."Temos a possibilidade de antecipar a produção de gás no Espírito Santo em função de descobertas recentes lá feitas. Isso permite que a produção nacional cresça, até 2008, em torno de 24,2 milhões de metros cúbicos/dia.

Desse total, 16,7 milhões de metros cúbicos/dia virão da Bacia do Espírito Santo, 6 milhões de metros cúbicos/dia da Bacia de Campos, na parte que pega o Espírito Santo, e mais 1,5 milhão de metros cúbicos/dia da Bacia de Santos", afirmou o presidente da Petrobras, aapós expor os planos da estatal a empresários, em almoço promovido pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria (Britcham). No caso da prioridade pela antecipação da produção no Espírito Santo,Gabrielli justificou a decisão em função de a região apresentar infra-estrutura já implementada, negando que a medida tenha a ver com uma possível frustração da Petrobras com a comprovação das reservas em Mexilhão.

Estatal vence licitação em Angola

A Petrobras foi declarada vencedora ontem de licitação para explorar um novo campo de petróleo em Angola. A estatal detém 30% de participação no consórcio que arrematou o bloco de número 18. No consórcio também estão presentes a própria Sonangol (20%), a sino-angolana SSI (40%), e as angolanas Falcom Oil (5%) e Gema (5%). Na mesma licitação, a francesa Total, também em parceria com empresas angolanas, entre elas a Sonangol, levou bloco de número 17, para o qual a Petrobras também havia apresentado proposta.

O governo de Angola receberá um bônus de US$ 1,1 bilhão para cada bloco arrematado na licitação, além de US$ 200 milhões para financiamento de projetos sociais.

Autor(es): IBS

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