Os sedentários têm mais um motivo para se colocarem em movimento. Em um mundo cada vez mais ávido por energia, de preferência sem poluição, andar, correr, pular, enfim, exercitar-se ou pelo menos manter-se ativo pode fazer de você um gerador ambulante de eletricidade.

Pode parecer brincadeira, mas alguns desses dispositivos já estão há anos no mercado. Lembram-se daqueles acendedores de fogão magiclick? Eles foram criados na Argentina, em 1969. A propaganda, inclusive, dizia que podiam durar mais de 100 anos. Pois esses fazedores de faíscas usavam materiais piezoelétricos, capaz de produzir eletricidade por meio de uma ação mecânica.

Com eles, pesquisadores franceses e holandeses acreditam que seja possível revestir grandes áreas, desde lajes de edificações até pátios ou mesmo estradas. Dessa forma, gerariam eletricidade a partir do impacto das gotas de chuva. Para algumas cidades do sudeste brasileiro, seria uma maravilha.

Ocorre que esses dispositivos, pelo menos atualmente, geram cargas ínfimas, coisa de microwatts. É preciso um verdadeiro ‘toró’ desabando sobre nossas cabeças, por vários dias, para que, no final, possamos manter acessas algumas luminárias de rua.

Mas e se o objetivo for abastecer celulares, laptops, sensores de presença ou implantes médicos, como marcapassos?

Combinando materiais já existentes com as mais recentes descobertas da nanotecnologia, pesquisadores de vários países estão desenvolvendo microgeradores que captam e armazenam energia a partir de qualquer tipo de vibração.

As aplicações são imensas. Desde um incômodo bate-estaca até o solado de sapatos. Você pode imaginar esses componentes na base de viadutos, no piso de academias ou mesmo em colchões. Tudo pode gerar eletricidade, até o teclado do seu computador.

E mais: a tecnologia dispensa o uso das pilhas tradicionais – e, por tabela, o seu impacto ambiental na produção e no descarte. lgumas dessas microusinas já são menores do que uma tampinha de garrafa PET. Outras, por sua vez, são flexíveis, podendo se ajustar as fibras de nossas roupas, como mostra a ilustração nesta página, recém-apresentada pelo norte-americano Zhong Lin Wang, da Universidade Georgia Tech.

De certo que esses materiais não irão nos livrar de apagões. Por outro lado, seria burrice não aproveitar que você vai comprar pão para reabastecer o celular. Mas isso é só o começo. Para os pesquisadores, no futuro, cada centímetro quadrado do seu ambiente será uma fonte limpa e inesgotável de energia. Basta se manter em movimento.

Em tempo: Um marcapasso consome entre 10 e 50 microwatts. Já um minigerador, desenvolvido na Universidade de Michigan (EUA), pode produzir cerca de 500 microwatts a partir das vibrações normais de um ser humano em suas atividades diárias. (Fonte: Com ‘Inovação Tecnológica’)

Autor(es): A Tribuna

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