Por Marcus Fernandes


A Petrobras, em parceria com a Coppe/UFRJ, vai pesquisar a adição de biodiesel ao combustível usado por navios, conhecido no mercado pelo nome de bunker de navegação. O objetivo é tentar reduzir as emissões de gases poluentes do produto, que deve ter grande crescimento de consumo no Brasil nos próximos anos.

Além disso, medidas governamentais propostas nos Estados Unidos e na União Européia estabelecem prazos para redução das emissões de poluentes pelos navios. Uma pesquisa recente mostrou que eles emitem tanta poluição quanto à metade da frota mundial de carros.

Cidades litorâneas

No caso dos EUA, a regulamentação deverá atingir não apenas os navios que aportam no país, mas todos aqueles que navegam no limite de 370 quilômetros da costa. A EPA (agência ambiental dos EUA) estima que mesmo os navios norte-americanos precisarão cortar as emissões de enxofre em 98% para se adequar às normas.

Para isso, as embarcações terão que passar a consumir combustível mais limpo ou instalar filtros e catalisadores que capturem a poluição emitida. O maior impacto da poluição marítima recai sobre a população que vive nas zonas costeiras. Isso porque 70% do tráfego se dá dentro da zona de até 400 km das regiões costeiras ao redor do mundo.

Outra pesquisa, concluída recentemente na Universidade de Oslo, na Noruega, dá conta de que os navios são responsáveis pelo aumento da chuva ácida em terra e geram mais de 25% do ozônio ao nível do solo em várias regiões costeiras.

Biodiesel para navios

A pesquisa da Petrobras com a Coppe, para produzir biodiesel para navios, conta com um investimento inicial de R$ 6,7 milhões.

Para isso foi inaugurado um novo laboratório, que buscará novas tecnologias para a produção de bunker, com foco na eficiência de queima do combustível e nas emissões de gases poluentes. O bunker é um óleo combustível pesado, usado apenas em motores de baixa rotação.

Uma segunda etapa, orçada em R$ 5,9 milhões, já foi aprovada, com a compra de um segundo motor para testes de combustível.

Segundo o coordenador do Laboratório de Máquinas Térmicas da Coppe, Albino Leiroz, “temos um grupo temático de estudos sobre combustíveis, com projetos na área de automóveis e motocicletas, por exemplo, mas percebemos que não havia conhecimento na área de bunker no Brasil".

“O Brasil é líder mundial em biocombustíveis e esse laboratório vai permitir a pesquisa de adição de biocombustíveis ao óleo combustível", completa o pesquisador do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), Tadeu Cordeiro.

Em cinco meses

O uso de biocombustíveis, diz, pode ser uma maneira de reduzir as emissões de fuligem na queima do bunker, melhorando a qualidade do ar no entorno dos portos brasileiros.

A Petrobras espera grande crescimento no consumo do produto, diante das encomendas de novos navios para o transporte de petróleo no país. "A frota de petroleiros está crescendo bastante, com as encomendas da Transpetro", diz Cordeiro.

Segundo Leiroz, da Coppe, o laboratório deve iniciar os testes em cinco meses. Antes disso, os pesquisadores vão trabalhar na preparação dos testes. "Trata-se de uma operação complicada, que envolve estocagem de combustíveis, operação de bombas e válvulas", comenta o professor.


(Fonte: Com Nicola Pamplona, O Estado de SP)

(Imagem: Nicholas Chan)

Autor(es): Estadão

facebook      twitter      google+

Meio Ambiente
 Veja todas as noticias e artigos relacionados a Meio Ambiente